A Polícia Federal investiga Aially Xavier, esposa do delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, por suspeita de participação em um esquema de fraudes no Concurso Nacional Unificado (CNU). O nome dela surgiu após análises técnicas identificarem padrões incomuns nos gabaritos de candidatos.
A Operação Última Fase, deflagrada na última quinta-feira (2), levou a Polícia Federal a realizar buscas na residência de Aially Xavier e do marido, o delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier, em Maceió. A ação integra um conjunto de medidas para desmantelar um suposto esquema organizado de fraudes em concursos públicos de grande porte.
A investigação ganhou novo contorno após a PF cruzar dados fornecidos pela banca organizadora Cesgranrio e identificar coincidência total entre os gabaritos de Aially e de outros três candidatos. As provas em questão pertencem ao bloco de auditor fiscal do trabalho, aplicadas no turno da tarde, e as respostas coincidem inclusive nos erros.
Embora ainda não tenha sido localizada prova direta no celular atribuído à candidata, os investigadores consideram haver indícios consistentes de que Aially tenha se beneficiado do esquema. Um dos métodos identificados nas investigações inclui o uso de ponto eletrônico inserido por procedimento médico, dificultando a identificação durante a fiscalização.
O esquema sob apuração não se limita ao CNU. A PF apura irregularidades também em concursos da Polícia Civil de Pernambuco, Polícia Civil de Alagoas, Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil. No total, 12 mandados de busca e apreensão e três de prisão preventiva foram cumpridos nos estados da Paraíba, Pernambuco e Alagoas. Também foram impostas medidas como o afastamento de servidores e o bloqueio de bens dos investigados.
Segundo a corporação, os envolvidos já foram eliminados dos processos seletivos e desligados de cargos públicos eventualmente conquistados com base nas fraudes. As penas previstas incluem crimes como fraude em certame de interesse público, lavagem de dinheiro, falsificação de documento público e organização criminosa.
Em nota, a defesa de Aially Xavier negou qualquer envolvimento com o esquema. Os advogados alegam que a semelhança de gabaritos é possível em provas de alta concorrência e criticaram a decisão judicial ter partido de um delegado sediado na Paraíba, enquanto a investigada reside em Alagoas.
As apurações contam com o apoio do Ministério Público Federal na Paraíba e continuam em andamento para identificar outros possíveis beneficiários e ramificações do grupo que, segundo os investigadores, atuava de forma sistemática para fraudar concursos públicos.

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