O Conselho de Segurança das Nações Unidas vai se reunir de forma emergencial na próxima segunda-feira para tratar da operação militar conduzida pelos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e elevou a tensão diplomática no cenário internacional.
A reunião foi confirmada neste sábado pela presidência rotativa do Conselho, atualmente sob comando da Somália. De acordo com a Missão Permanente somali junto à ONU, o encontro está marcado para as 12h, no horário de Brasília, e terá como foco os desdobramentos da intervenção norte-americana no país sul-americano.
A ofensiva dos Estados Unidos ocorreu no sábado (3), após meses de ameaças e pressões diplomáticas, culminando em uma operação militar em Caracas. A ação gerou reações imediatas dentro da Organização das Nações Unidas e entre países membros do Conselho de Segurança.
Em comunicado divulgado por seu porta-voz, o secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou forte preocupação com a escalada do conflito. Segundo ele, independentemente do contexto político venezuelano, a intervenção representa um precedente perigoso e levanta questionamentos sobre o respeito às normas do direito internacional.
Guterres reforçou a necessidade de cumprimento integral da Carta da ONU por todas as partes envolvidas e alertou para o enfraquecimento das regras que regem a convivência entre os Estados. O secretário-geral também fez um apelo para que os atores políticos na Venezuela busquem uma saída baseada no diálogo, com respeito aos direitos humanos e ao Estado de Direito.
No mesmo dia, a Missão Permanente da Venezuela junto às Nações Unidas encaminhou uma carta ao presidente do Conselho de Segurança em janeiro, Abukar Dahir Osman, condenando a ação dos Estados Unidos. No documento, o governo venezuelano classificou os ataques como injustificados e unilaterais, além de acusar Washington de violar a Carta da ONU.
A representação venezuelana apresentou quatro exigências principais: a realização imediata da reunião do Conselho, a condenação formal da operação militar, a suspensão dos ataques e a responsabilização dos Estados Unidos por crime de agressão. A carta também acusa o governo norte-americano de tentar derrubar o atual regime para interferir diretamente no controle dos recursos do país.
A convocação da reunião de emergência conta com o apoio da Rússia, membro permanente do Conselho de Segurança, e da Colômbia, que ocupa uma das cadeiras não permanentes do órgão. O encontro deve intensificar o debate diplomático e expor as divisões entre as potências internacionais sobre a crise na Venezuela.

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