quarta-feira , 11 março 2026
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CEO global da Nestlé deixa cargo após investigação sobre relacionamento com subordinada

Decisão foi tomada após apuração interna confirmar envolvimento amoroso do executivo com funcionária sob sua supervisão, prática vedada pelo código de conduta da multinacional.

Foto: Nestlé

A Nestlé anunciou nesta segunda-feira (1º) a saída imediata de Laurent Freixe da presidência global da companhia. O desligamento ocorreu após uma investigação interna concluir que o executivo mantinha um relacionamento com uma funcionária diretamente subordinada, em desacordo com as normas éticas da multinacional suíça.

O episódio ganhou ampla repercussão internacional e levantou discussões sobre os limites entre vida pessoal e profissional dentro das corporações. Na Suíça, sede da Nestlé, a imprensa local destacou especulações sobre a identidade da colaboradora e uma possível promoção que teria recebido durante o período do relacionamento, ponto que não foi confirmado oficialmente pela empresa.

Segundo a Nestlé, a decisão foi “difícil, mas necessária” para preservar os valores e a governança da companhia. O presidente do conselho, Paul Bulcke, afirmou: “Agradecemos a Laurent por seus anos de dedicação, mas os princípios da empresa devem ser preservados”.

Francês de 62 anos, Freixe construiu toda sua carreira na Nestlé, onde ingressou em 1986. Ao longo das décadas, ocupou cargos de liderança em diferentes países e, em 2024, havia alcançado o posto máximo da multinacional. Também ficou conhecido pela criação do programa Nestlé Needs YOUth, voltado para empregabilidade jovem.

O comando global da empresa passa agora a Philipp Navratil, executivo austríaco que está na Nestlé desde 2001. Ele já liderou operações em Honduras, México e foi responsável por marcas como Nescafé, Starbucks e Nespresso. Promovido ao conselho executivo em janeiro de 2025, assume agora a presidência mundial. “É um privilégio liderar a Nestlé neste novo momento. Pretendo impulsionar os planos de crescimento e continuar criando valor”, declarou.

A saída de Freixe também trouxe o tema para o debate jurídico. Especialistas ressaltam que, no Brasil, não há lei específica que proíba relacionamentos no ambiente de trabalho. A Constituição garante o direito à vida privada, mas muitas empresas optam por incluir restrições em seus códigos de conduta para evitar situações de conflito hierárquico ou favorecimento.

Para a advogada Cristina Pena, proibir relações afetivas em si seria inconstitucional, mas regras sobre conduta no ambiente de trabalho podem ser válidas. Já o advogado Ronaldo Ferreira Tolentino ressalta que normas que extrapolam o espaço corporativo configuram invasão de privacidade.

Com a troca de liderança, a Nestlé busca conter danos à sua imagem e reforçar seu compromisso com governança e integridade, em um momento em que o escrutínio público sobre práticas empresariais se torna cada vez maior.

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