A Braskem vai preencher com material sólido as dez minas de sal-gema ainda pressurizadas em Maceió, como forma de estabilizar o solo e reduzir riscos associados à continuidade do afundamento na região. A decisão segue parecer técnico do instituto alemão IFG, divulgado no fim de julho.
A petroquímica Braskem anunciou que irá preencher com material sólido as dez minas de sal-gema que ainda permanecem pressurizadas no subsolo de Maceió. A ação segue recomendação técnica do Institut für Gebirgsmechanik (IFG), instituto alemão especializado em geomecânica, que avaliou a necessidade de estabilização imediata das cavidades remanescentes.
O objetivo da medida é minimizar o risco de subsidência — o afundamento progressivo do solo — em bairros afetados pela extração mineral, como Mutange, Pinheiro e Bebedouro. De acordo com relatório técnico do IFG, o procedimento conhecido como backfilling (preenchimento) é considerado eficaz para prevenir o surgimento de crateras (sinkholes) no longo prazo.
Segundo dados da Agência Nacional de Mineração (ANM), das 35 cavidades abertas no subsolo de Maceió, 14 já foram preenchidas: oito com areia e seis por autopreenchimento. Outras dez continuam pressurizadas, enquanto seis estão em processo de enchimento e cinco em fase preparatória.
A decisão é vista com otimismo pelo geólogo Abel Galindo, que desde o início denunciou os riscos da atividade mineradora em área urbana. “Se as cavidades se mantiverem estáveis após o preenchimento, as áreas ao redor poderão ser reocupadas dentro de uma década”, avalia.
A Braskem informou que está finalizando o cronograma para execução das obras, que será submetido à ANM ainda neste segundo semestre. A agência, por sua vez, acompanha as ações por meio do Grupo de Trabalho GT-SAL, e reforçou que toda documentação técnica é validada por profissionais com Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), registrada no CREA.
O relatório do instituto alemão também aponta a necessidade de intensificar o monitoramento por sonar, especialmente nas minas M28 e M31. Esta última, localizada na encosta do Mutange, é considerada uma das maiores e mais críticas da região. Caso sejam detectadas alterações, o cronograma de novas sondagens deverá ser antecipado.
Quanto ao futuro das áreas desocupadas em decorrência do desastre geológico, a Braskem reiterou que, conforme o acordo firmado com o Ministério Público Federal e o Ministério Público do Estado de Alagoas, está proibida a construção de imóveis para fins comerciais ou residenciais nessas regiões. A decisão sobre o uso do solo caberá aos órgãos públicos.

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