quarta-feira , 11 março 2026
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Aprovada em Medicina aos 16, influenciadora viraliza, e é criticada, por redação em 1ª pessoa

Com mais de 3 milhões de seguidores, Júlia Pimentel apagou o vídeo em que comemorava aprovação em Medicina após críticas à sua redação e à seletividade do processo.

Foto: Divulgação

A influenciadora digital Júlia Pimentel, de 16 anos, causou furor nas redes sociais após divulgar — e depois apagar — um vídeo comemorando sua aprovação no curso de Medicina do Idomed, faculdade privada no Rio de Janeiro. A reação não veio pela conquista em si, mas por causa da redação usada no vestibular e das críticas quanto ao nível de exigência do processo seletivo.

Júlia, que está apenas no 2º ano do ensino médio, conseguiu uma vaga em Medicina numa instituição cuja mensalidade ultrapassa os R$ 16 mil. Ela compartilhou orgulhosamente sua redação nas redes, mas foi alvo de memes e piadas na internet. O principal motivo: o uso da primeira pessoa do singular em um texto classificado como “dissertativo-argumentativo”.

Comentários debochados surgiram rapidamente. “Faltou começar com ‘Querido Diário’”, ironizou um usuário. Outros questionaram se o texto teria sido feito com ajuda de inteligência artificial. A jovem negou: “Fiquei feliz que pensaram isso, porque mostra que a redação estava bonita. Mas fui eu quem escreveu”, declarou ao portal g1.

O tema proposto no vestibular era: “Qual marca da sua personalidade ninguém roubará de você? Por quê?”. Júlia escolheu falar sobre sua determinação, e construiu um texto focado em experiências pessoais, com estrutura organizada e linguagem formal. Apesar das críticas, professores de português ouvidos pela imprensa concordam que a escolha do pronome “eu” é compatível com a proposta da prova — que exigia subjetividade.

“Só a primeira pessoa daria conta deste tema”, explicou a professora Margarete Xavier, ao destacar que a proposta do vestibular era muito diferente do modelo tradicional do Enem.

Para Daniela Toffoli, coordenadora de Linguagens do Curso Anglo, a redação está coerente com a proposta, embora ela critique a definição do gênero textual como dissertação. “O mais adequado seria chamar de carta de apresentação, já que se trata de um texto introspectivo, e não argumentativo em sentido amplo.”

A qualidade da redação e o peso da crítica

Especialistas também divergem sobre a dificuldade do tema. Alguns consideram o enunciado “simples demais”, outros destacam que clareza não deve ser confundida com facilidade. “Não é porque o tema é direto que ele é raso. O que se espera é organização de ideias, domínio da norma culta e capacidade de argumentar”, afirma Marina Rocha, professora de redação do curso AZ.

A redação de Júlia recebeu nota 29 de 30. Já na prova objetiva, ela acertou 30 de 70 questões. Em um vestibular mais concorrido, como o da Unicamp, essa pontuação não a classificaria, mas no Idomed a concorrência gira em torno de cinco candidatos por vaga — muito abaixo das universidades públicas.

“O vestibular não é nível Enem, é claro, mas também não é simplesmente pagar e passar”, defendeu Júlia.

IA ou habilidade própria?

A hipótese de uso de inteligência artificial também foi levantada, já que o processo seletivo foi online. No entanto, a instituição afirma que utiliza um sistema de monitoramento por câmera, além de fiscais humanos e tecnologia antiplágio. Segundo a própria Júlia, o texto foi resultado de seus estudos com professores, vídeos no YouTube e vocabulário aprendido com o próprio ChatGPT — mas sem uso direto da ferramenta na prova.

“Usei palavras que o ChatGPT me apresentou durante os estudos, mas a redação é minha. E estou feliz que tanta gente tenha começado a discutir redação por causa disso”, disse a jovem.

O que diz a faculdade

Em nota, o Idomed afirmou que o objetivo da redação era avaliar a capacidade de expressão, organização do pensamento, argumentação e domínio da norma padrão da língua, e que a escolha de temas mais acessíveis visa não privilegiar quem tem repertórios culturais muito específicos.

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