As buscas pelo termo “Paraguai” no Google cresceram 900% nas 24 horas anteriores às 6h desta terça-feira (27), após a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais. Os dados são atribuídos ao Google Trends, ferramenta que acompanha o interesse dos usuários pelos assuntos pesquisados na plataforma.
Lula venceu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por 51,79% a 48,21% dos votos válidos, garantindo um novo mandato no Palácio do Planalto. A repercussão do resultado também impulsionou conversas nas redes sociais sobre a possibilidade de brasileiros se mudarem para o país vizinho.
Além das pesquisas pelo nome do Paraguai, o material de origem aponta um aumento de 1.700% nas consultas sobre como morar no país. Os dados, contudo, não permitem concluir quantas pessoas realmente pretendem emigrar nem se o resultado eleitoral foi o único motivo para o crescimento do interesse.
Paraguai ganha destaque por indicadores econômicos
O aumento da atenção sobre o país ocorre em um contexto no qual o Paraguai vem sendo apontado por indicadores internacionais como um destino com condições favoráveis para negócios e investimentos.
No Índice de Liberdade Econômica de 2026, elaborado pela Heritage Foundation, o país alcançou 66,4 pontos e ficou na 55ª posição mundial. A instituição relaciona o desempenho a medidas voltadas à disciplina fiscal, à estabilidade monetária e à melhoria do ambiente empresarial.
O sistema tributário está entre os fatores frequentemente citados por investidores. Conhecido como modelo “10-10-10”, ele prevê alíquotas de 10% para o imposto de renda de pessoas físicas, o imposto de renda empresarial e o Imposto sobre Valor Agregado (IVA), conforme as regras aplicáveis a cada tributo.
A carga tributária paraguaia é estimada em cerca de 14% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto a brasileira é apontada em torno de 33%. A comparação, porém, precisa considerar diferenças entre os sistemas tributários, os serviços públicos oferecidos e as obrigações incidentes sobre empresas e trabalhadores.
Regime industrial atrai empresas brasileiras
Outro instrumento utilizado para estimular a produção voltada ao mercado externo é a Lei de Maquila. O regime oferece condições tributárias específicas para empresas que fabricam produtos ou prestam serviços no Paraguai destinados, principalmente, à exportação.
Segundo os números citados no material de origem, 231 das 339 empresas que operavam nesse modelo até dezembro de 2025 eram brasileiras. Marcas como Havan, Lupo e JBS também ampliaram suas operações no país vizinho.
Os custos trabalhistas aparecem entre os fatores considerados pelas empresas na decisão de instalar unidades fora do Brasil. No Paraguai, a contribuição patronal à previdência é informada em 16,5%. A comparação com o mercado brasileiro, entretanto, exige considerar o conjunto das obrigações trabalhistas e previdenciárias de cada país, que não se limita a uma única alíquota.
Pedidos de residência por brasileiros aumentam
O interesse pelo Paraguai também aparece nos registros migratórios. Dados divulgados pela Direção Nacional de Migrações paraguaia mostram que o órgão recebeu 33.243 pedidos de residência de estrangeiros entre janeiro e junho de 2026, um crescimento de 62% em relação ao mesmo período de 2025.
No semestre, foram concedidas 29.765 residências. Desse total, 22.628 foram destinadas a brasileiros, que representaram aproximadamente 76% das autorizações concedidas a estrangeiros.
Os números demonstram que o movimento de brasileiros em direção ao Paraguai já vinha crescendo antes do resultado eleitoral de outubro. Por isso, embora a repercussão política possa ter contribuído para o aumento repentino das buscas na internet, ela não explica sozinha a tendência migratória registrada ao longo do ano.
Dados do Itamaraty referentes a 2023, citados no material original, estimavam em aproximadamente 263 mil o número de brasileiros residentes no Paraguai.
Liberdade econômica não elimina desafios
Apesar dos indicadores favoráveis aos negócios, o Paraguai também enfrenta obstáculos. A própria Heritage Foundation aponta problemas relacionados à informalidade e a fragilidades institucionais, incluindo questões ligadas à proteção da propriedade e à eficiência do Judiciário.
Esses fatores mostram que a escolha de um país para morar ou investir envolve mais do que a comparação de impostos. Segurança jurídica, acesso a serviços públicos, oportunidades de trabalho, custo de vida e regras migratórias também devem entrar na avaliação.
Decisão sobre horário de votação também marcou o segundo turno
Além da repercussão econômica e migratória, o segundo turno foi marcado por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) relacionada ao horário de encerramento da votação.
No domingo (25), o ministro Cristiano Zanin determinou que a votação continuasse até as 19h nos locais em que as urnas ainda não haviam sido fechadas às 17h. A medida foi tomada após uma reclamação apresentada pela coligação de Lula, que relatou problemas no transporte público em municípios baianos. Segundo o STF, as duas candidaturas também haviam apontado dificuldades para o deslocamento de eleitores.
A decisão foi divulgada no fim da tarde, e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que a votação permaneceria em andamento apenas nas seções que ainda não tivessem sido encerradas. A totalização e a divulgação dos resultados seriam retomadas depois das 19h.
O episódio gerou questionamentos políticos sobre a atuação do Judiciário durante o processo eleitoral. Para avaliar as críticas à decisão, é necessário distinguir os argumentos apresentados pelas campanhas, o alcance efetivo da determinação judicial e os esclarecimentos oficiais do STF e do TSE.

Deixe um comentário