O jornalista, escritor e colunista Zuenir Ventura morreu nesta terça-feira (22), aos 95 anos, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela Academia Brasileira de Letras (ABL), da qual era integrante desde 2014. Zuenir ocupava a Cadeira nº 32, sucedendo o escritor Ariano Suassuna.
Nascido em 1º de junho de 1931, em Além Paraíba, Minas Gerais, Zuenir se mudou ainda criança para o Rio de Janeiro. Formado em Letras Neolatinas, iniciou a carreira no jornalismo em 1956 e passou por algumas das principais redações do país ao longo de mais de seis décadas de atividade.
Durante a trajetória profissional, trabalhou no Correio da Manhã, O Cruzeiro, Visão, Veja, IstoÉ e Jornal do Brasil. Também atuou como professor universitário e manteve durante anos uma coluna no jornal O Globo.
Obras que marcaram o jornalismo brasileiro
Zuenir ficou conhecido principalmente pelo trabalho de reportagem e pela capacidade de transformar acontecimentos políticos e sociais em livros que se tornaram referências do jornalismo brasileiro.
Em 1988, publicou 1968 – O ano que não terminou, obra dedicada aos acontecimentos políticos e culturais que marcaram aquele ano durante a ditadura militar. O livro alcançou mais de 400 mil exemplares vendidos e posteriormente serviu de inspiração para a minissérie Anos Rebeldes, da TV Globo.
No ano seguinte, Zuenir acompanhou no Acre os acontecimentos após o assassinato do líder seringueiro e ambientalista Chico Mendes. A série de reportagens O Acre de Chico Mendes recebeu o Prêmio Esso de Jornalismo e o Prêmio Vladimir Herzog.
Outro trabalho de destaque foi Cidade partida, publicado em 1994. O livro abordou as desigualdades sociais e a violência urbana no Rio de Janeiro e rendeu ao jornalista o Prêmio Jabuti na categoria Reportagem.
Entre outras obras estão Inveja – Mal Secreto, Chico Mendes – Crime e Castigo, Minhas histórias dos outros e o romance Sagrada Família. Zuenir também participou de produções audiovisuais e foi responsável pelo roteiro do documentário Paulinho da Viola: Meu tempo é hoje.
Entrada na Academia Brasileira de Letras
Zuenir foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em outubro de 2014, na sucessão de Ariano Suassuna, tornando-se o sétimo ocupante da Cadeira nº 32.
Na ABL, manteve participação em atividades literárias e culturais. A instituição chegou a incluir, em sua programação de setembro de 2026, a exibição do documentário Mestre Zu, dedicado à trajetória do jornalista.
Ao longo da carreira, Zuenir recebeu diferentes reconhecimentos pelo trabalho jornalístico. Em 2010, foi escolhido como “Jornalista do Ano” pela Associação dos Correspondentes Estrangeiros. Também recebeu reconhecimento da Organização das Nações Unidas (ONU) por sua contribuição à defesa dos direitos humanos no Brasil.
Legado
Com uma carreira iniciada na década de 1950, Zuenir Ventura acompanhou diferentes períodos da história brasileira e transformou parte dessas experiências em reportagens, crônicas e livros.
Sua produção se destacou pela aproximação entre jornalismo e literatura, especialmente em trabalhos que registraram episódios políticos, conflitos sociais, violência urbana e personagens que marcaram a história recente do país.
A morte encerra uma trajetória de mais de seis décadas dedicada à imprensa e à literatura brasileira.

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