Um passeio escolar ao Museu de Ciência e Tecnologia de Xiangyang, na província chinesa de Hubei, terminou com uma criança de 5 anos ferida após ser atingida por um robô durante uma demonstração. O acidente aconteceu em 12 de novembro de 2025 e, nove meses depois, a família ainda tenta chegar a um acordo sobre a indenização.
Segundo relatos divulgados pela imprensa chinesa, a menina visitava o museu com colegas do jardim de infância quando o robô se aproximou do grupo, realizou um movimento de perna e atingiu o rosto da criança. O impacto provocou um corte no lábio superior, que precisou de três pontos, além de lesões dentárias.
A própria administração do museu reconheceu que houve um problema relacionado à distância de segurança. Uma representante da instituição afirmou que o operador, funcionário da empresa responsável pelo robô, não calculou adequadamente a distância durante a atividade. A unidade também informou que o equipamento estava em uma fase de treinamento e ensaio, e que aquela não seria uma apresentação pública programada dentro da rotina de visitação.
Quatro dentes foram perdidos
O acidente provocou consequências que ultrapassaram o ferimento inicial no rosto.
De acordo com a família, uma das presas da frente foi perdida imediatamente e outra ficou solta, vindo a cair posteriormente. Outros dois dentes de leite também teriam sido perdidos durante o tratamento, após danos na região da gengiva.
A mãe, identificada pela imprensa chinesa apenas pelo sobrenome Wang, afirmou que a filha precisou passar por tratamento prolongado. Segundo o relato, a criança chegou a permanecer por meses com alimentação predominantemente líquida e continuou apresentando episódios de inflamação na gengiva.
A família também relata preocupação com a cicatriz deixada no lábio e com os possíveis efeitos futuros sobre a dentição permanente. Até o momento, entretanto, não há conclusão médica definitiva sobre quais tratamentos serão necessários no futuro.
Menina já passou por cinco sessões para tratar cicatriz
Segundo informações divulgadas pelos veículos que acompanharam o caso, a criança já passou por cinco sessões de tratamento a laser para a cicatriz.
Em julho de 2026, a família levou a menina para avaliação no Hospital Nono do Povo de Xangai, especializado em tratamentos médicos. De acordo com o relato da mãe, médicos recomendaram acompanhamento periódico e indicaram que a necessidade de novos procedimentos dependerá da evolução da cicatriz ao longo do crescimento.
A família afirma que, mesmo com os tratamentos, a marca no rosto ainda é perceptível e o contorno do lábio permanece irregular.
Segurança do robô virou ponto central da discussão
O caso levantou questionamentos sobre a segurança das apresentações com máquinas robotizadas diante de crianças.
Segundo a versão apresentada pelo museu, o robô fazia parte de uma atividade de treinamento e o funcionário responsável pela operação não avaliou corretamente a área necessária para manter o público em segurança.
A mãe, porém, apresentou uma versão diferente à imprensa e questionou a ausência de barreiras físicas e de uma área de segurança suficiente entre o equipamento e as crianças. Ela também afirmou ter solicitado documentos relacionados à operação do robô, como registros de treinamento, qualificação do operador e informações técnicas sobre o funcionamento do equipamento.
O museu, por sua vez, afirmou que o robô envolvido no acidente era diferente de um equipamento utilizado anteriormente em ações de divulgação da instituição.
Empresa ofereceu 20 mil yuans
A empresa Hefei And Exhibition Technology Co., responsável pelo fornecimento do robô e pelo operador que trabalhava na unidade, apresentou uma proposta de acordo à família.
Segundo a mãe, a empresa ofereceu 20 mil yuans, além do pagamento das despesas médicas, para encerrar a disputa. A família considera o valor insuficiente diante dos tratamentos já realizados e das possíveis intervenções futuras.
Os pais pedem 150 mil yuans, valor que, segundo eles, pretende contemplar despesas já realizadas e possíveis custos futuros relacionados à cicatriz, ao tratamento odontológico e a procedimentos de reparação estética.
Futuro tratamento é principal ponto de impasse
Parte da divergência está justamente nos procedimentos que ainda não ocorreram.
Representante do museu afirmou que alguns tratamentos considerados pela família — incluindo procedimentos estéticos e tratamentos odontológicos futuros — ainda dependem da evolução da criança e de avaliações médicas mais precisas. Por isso, os responsáveis pelo local consideram necessário um parecer de terceiros para determinar a extensão dos danos e os custos que poderão surgir.
Diante da falta de acordo, a empresa responsável pelo robô orientou a família a recorrer à Justiça para discutir a responsabilidade e o valor da indenização.
Família teme consequências para o futuro
Além dos danos físicos, a mãe afirma que a filha sofreu impacto emocional após o acidente. A família também teme que a cicatriz facial ou eventuais problemas decorrentes das lesões possam influenciar escolhas profissionais da criança no futuro.
A mãe citou como exemplo carreiras que possuem requisitos médicos mais rigorosos, como polícia e academias militares. Não há, porém, neste momento, uma conclusão que indique que a criança será impedida de seguir essas profissões.
Caso ainda não foi encerrado
Passados mais de nove meses desde o acidente, a família e os responsáveis pelo museu e pelo robô ainda não chegaram a um acordo definitivo sobre a indenização.
As informações disponíveis mostram versões diferentes sobre a dinâmica e a responsabilidade pelo acidente, embora o próprio museu tenha reconhecido que houve falha na avaliação da distância de segurança pelo operador.
Como não há registro público de uma decisão judicial definitiva sobre o caso nas fontes consultadas, a responsabilidade civil e o valor final de eventual indenização ainda permanecem em discussão.
O episódio chama atenção para a necessidade de protocolos rigorosos de segurança em demonstrações de robôs e outros equipamentos capazes de realizar movimentos rápidos ou inesperados, especialmente quando as atividades são realizadas próximas a crianças.

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