Alagoas registrou 502 vítimas nos indicadores de estupro e estupro de vulnerável entre janeiro e julho de 2026, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
Do total, 393 vítimas foram contabilizadas no indicador de estupro de vulnerável, enquanto outras 109 aparecem no indicador específico de estupro. Considerados em conjunto, os dois números representam uma média de aproximadamente 2,4 vítimas por dia no período analisado.
Os dados fazem parte do sistema nacional de estatísticas de segurança pública, alimentado com informações encaminhadas pelas unidades da Federação e demais órgãos responsáveis pela produção de dados criminais. O próprio Ministério da Justiça destaca que o Mapa da Segurança Pública 2026 reúne informações das 27 unidades federativas e utiliza dados enviados ao Sinesp.
Estupro de vulnerável concentra maioria dos registros
O indicador de estupro de vulnerável responde por aproximadamente 78% das vítimas contabilizadas nos dois grupos analisados.
Entre as 393 vítimas classificadas nessa categoria, 324 eram do sexo feminino, 67 do sexo masculino e dois registros não apresentavam informação sobre o sexo.
Já entre as 109 vítimas contabilizadas no indicador específico de estupro, 99 eram mulheres, nove homens e um registro não apresentava informação.
Somados os dois indicadores, as mulheres representam a ampla maioria das vítimas registradas no período.
A diferença entre os indicadores também precisa ser observada. Segundo a metodologia disponibilizada pelo Ministério da Justiça, o indicador de estupro reúne estupros e estupros de vulneráveis consumados em determinadas classificações estatísticas, enquanto o Mapa da Segurança Pública 2026 passou a apresentar também o indicador específico de estupro de vulnerável.
Registros cresceram em relação a 2025
A comparação dos dados do painel para o mesmo período de 2025 aponta crescimento nos dois indicadores.
No indicador específico de estupro, o aumento informado para janeiro a julho foi de 6,58%. Já os registros classificados como estupro de vulnerável cresceram 11,02% na comparação com os primeiros sete meses do ano anterior.
O crescimento ocorre justamente no indicador que concentra a maior parcela das vítimas registradas no Estado.
Os números, entretanto, representam registros policiais, e não necessariamente o universo total de crimes cometidos. Como ocorre com estatísticas criminais em geral, casos que não chegam ao conhecimento das autoridades não aparecem na base do Sinesp.
Maio teve o maior número de vítimas de estupro de vulnerável
A distribuição mensal mostra que os registros permaneceram elevados durante todo o período analisado.
Entre os casos classificados como estupro, março apresentou o maior número, com 24 vítimas. Janeiro e junho tiveram 17 registros cada, enquanto julho contabilizou 16. Fevereiro registrou 14 vítimas, maio teve 11 e abril, 10.
No indicador de estupro de vulnerável, maio foi o mês com maior número de registros, com 63 vítimas. Março aparece na sequência, com 61, seguido por julho, com 60.
Janeiro teve 55 vítimas, junho registrou 56 e fevereiro e abril contabilizaram 49 cada.
A distribuição demonstra que os registros não ficaram concentrados em apenas um momento do ano, mantendo-se em patamar elevado ao longo dos sete meses.
Alagoas já apresentava números elevados
Os dados de 2026 aparecem em um cenário no qual Alagoas já registrava números expressivos de violência sexual.
De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, baseado nos registros de 2024, o Estado contabilizou 313 casos de estupro e 1.079 casos de estupro de vulnerável naquele ano. Somados, os dois indicadores chegaram a 1.392 vítimas.
Naquele levantamento, Alagoas apresentou crescimento de 22,7% nos registros de estupro e de 8,9% nos casos de estupro de vulnerável em comparação com 2023.
A comparação histórica, contudo, deve ser feita com cautela, já que os dados de 2026 correspondem somente aos sete primeiros meses do ano.
Violência contra crianças e adolescentes é uma preocupação
O cenário ganha uma dimensão ainda mais sensível quando considerado o número de registros de estupro de vulnerável.
Em maio de 2026, a Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas publicou boletim epidemiológico sobre violência sexual e identificou que 89 municípios alagoanos apresentaram, entre 2021 e 2025, casos de nascidos vivos de mães adolescentes de 10 a 13 anos em gestações decorrentes de estupro de vulnerável. O levantamento foi produzido com dados dos sistemas de informação em saúde e estava sujeito a alterações.
A legislação brasileira considera vulneráveis, entre outros casos, pessoas menores de 14 anos. Em março de 2026, a Lei nº 15.353 alterou o Código Penal para estabelecer a presunção absoluta de vulnerabilidade da vítima nesse crime, independentemente de experiência sexual ou gravidez decorrente do estupro.
Rede de atendimento mantém serviços especializados
Além da investigação policial, vítimas de violência sexual contam com uma rede específica de atendimento em Alagoas.
A Secretaria de Estado da Saúde mantém a Rede de Atenção às Violências (RAV), que reúne unidades destinadas ao atendimento de pessoas vítimas de diferentes formas de violência. Entre os serviços listados estão o Hospital da Mulher, em Maceió, e o Hospital de Emergência Daniel Houly, em Arapiraca, ambos com atendimento relacionado a vítimas de violência.
O Estado também disponibiliza o aplicativo Fica Bem, criado para auxiliar vítimas de violência sexual a buscar informações, entrar em contato com a rede de atendimento e acessar orientações sobre os serviços disponíveis.
Os dados mais recentes do Sinesp reforçam a dimensão do problema: em apenas sete meses de 2026, mais de 500 vítimas aparecem nos dois indicadores analisados em Alagoas. O cenário é marcado pelo predomínio dos registros de estupro de vulnerável e pela concentração das vítimas do sexo feminino, além do crescimento observado em relação ao mesmo período de 2025.

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