Uma tentativa de feminicídio registrada em Bambuí, no Centro-Oeste de Minas Gerais, terminou com a prisão de um homem de 31 anos suspeito de incendiar a casa de uma amiga após ela rejeitar um relacionamento amoroso. A vítima, uma mulher de 41 anos, foi encontrada desacordada dentro do imóvel em chamas e precisou ser resgatada por policiais militares, que arriscaram a própria vida para salvá-la.
O crime aconteceu na madrugada de domingo (26), no bairro Candola, e é investigado pela Polícia Civil de Minas Gerais. Após audiência de custódia, a prisão em flagrante do suspeito foi convertida em prisão preventiva.
Incêndio começou após rejeição, segundo investigação
De acordo com a Polícia Militar, a mulher promovia uma confraternização em sua residência na noite anterior ao crime. Entre os convidados estava o suspeito, que, segundo testemunhas, demonstrava interesse amoroso pela vítima.
Após o término do encontro, os dois permaneceram sozinhos na casa. Conforme as investigações, a mulher recusou iniciar um relacionamento com o homem, que deixou o imóvel após a conversa.
Pouco tempo depois, ele retornou ao local e ateou fogo em uma colcha que estava sobre o sofá. As chamas se espalharam rapidamente pela residência, enquanto a vítima permanecia dentro da casa. Segundo o próprio investigado, a motivação foi a rejeição amorosa. Em depoimento aos policiais, ele afirmou que a mulher “não deu bola” para ele.
Mulher foi retirada pela janela
A Polícia Militar foi acionada após moradores perceberem a fumaça saindo da residência e informarem que poderia haver alguém no interior do imóvel.
Ao chegarem ao local, os policiais encontraram a casa completamente fechada e tomada pela fumaça. Diante da urgência, os militares arrombaram uma janela e localizaram a vítima desacordada no interior da residência.
Como o fogo já consumia grande parte da sala, a mulher foi retirada pela própria janela e recebeu os primeiros socorros até a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Ela foi encaminhada ao Hospital Nossa Senhora do Brasil, onde permanece internada devido à inalação de fumaça e às queimaduras nas vias respiratórias. O estado de saúde não havia sido atualizado até a publicação desta reportagem.
Policiais também precisaram de atendimento
Durante o resgate, alguns policiais militares inalaram grande quantidade de fumaça e precisaram receber atendimento médico.
Segundo a corporação, dois agentes permaneceram em observação e passaram por oxigenoterapia, sendo liberados posteriormente sem risco à saúde.
Além da vítima, um cachorro que estava na residência também foi retirado com vida pelos militares. Como havia a possibilidade de outras pessoas estarem no imóvel, uma nova varredura foi realizada antes da extinção completa das chamas.
Bombeiros receberam apoio de brigadistas
O incêndio destruiu grande parte da residência e provocou o desabamento parcial do telhado.
Como a unidade mais próxima do Corpo de Bombeiros fica a cerca de 60 quilômetros de Bambuí, o primeiro combate às chamas contou com o apoio de brigadistas de uma usina de bioenergia instalada no município, que auxiliaram a Polícia Militar até a chegada dos bombeiros para o trabalho de rescaldo.
Suspeito confessou o crime
Após colher informações de testemunhas, os policiais localizaram o homem em sua residência.
Durante a abordagem, ele confessou ter provocado o incêndio após ser rejeitado pela vítima. Segundo a Polícia Militar, o investigado afirmou que nutria sentimentos pela mulher havia anos, mas nunca teve o relacionamento correspondido.
O homem foi preso em flagrante pelos crimes de tentativa de feminicídio e incêndio criminoso. Em audiência de custódia, a Justiça converteu a prisão em preventiva, e ele permanecerá detido enquanto o caso é investigado.
Polícia Civil apura o caso
A Polícia Civil de Minas Gerais segue investigando as circunstâncias do crime e deverá concluir o inquérito após a realização de perícias, oitivas de testemunhas e análise dos laudos técnicos.
Até o momento, a principal linha investigativa aponta que o incêndio foi provocado de forma intencional após a recusa da vítima em manter um relacionamento com o suspeito. O caso é tratado como tentativa de feminicídio, diante dos indícios de violência motivada por questão de gênero.

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