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Bactéria encontrada no intestino de rãs elimina tumores em dose única em estudo e anima cientistas

Pesquisa realizada no Japão mostrou que microrganismo erradicou câncer colorretal em camundongos e ainda estimulou o sistema imunológico; especialistas alertam que técnica ainda precisa passar por testes em humanos.

Greg Peterson – CC BY-SA 3.0

Uma descoberta feita por pesquisadores japoneses pode representar um importante avanço no desenvolvimento de novas terapias contra o câncer. Cientistas do Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia do Japão (JAIST) identificaram uma bactéria presente no intestino de rãs capaz de eliminar completamente tumores de câncer colorretal em camundongos após uma única aplicação, além de estimular o sistema imunológico a continuar combatendo as células cancerígenas. Os resultados foram publicados na revista científica Gut Microbes, mas ainda estão restritos a estudos pré-clínicos, ou seja, realizados apenas em animais.

A pesquisa reforça o potencial da chamada terapia bacteriana, uma área da medicina que busca utilizar microrganismos para atacar tumores de forma seletiva, oferecendo alternativas aos tratamentos convencionais, como quimioterapia e imunoterapia.

Bactéria se destacou entre dezenas de espécies analisadas

Durante o estudo, os pesquisadores analisaram o microbioma intestinal de anfíbios e répteis japoneses, incluindo rãs, salamandras e lagartos.

Ao todo, foram identificadas 45 espécies de bactérias, das quais nove apresentaram algum tipo de atividade antitumoral. Entre elas, uma chamou a atenção dos cientistas: a Ewingella americana, encontrada no intestino da rã-arborícola japonesa (Dryophytes japonicus).

Segundo os pesquisadores, essa bactéria demonstrou uma capacidade excepcional de localizar tumores sólidos, multiplicar-se rapidamente em regiões com pouco oxigênio — ambiente característico de diversos tipos de câncer — e destruir diretamente as células tumorais.

Dupla ação contra o câncer

Além de atacar o tumor, a bactéria também ativou uma resposta intensa do sistema imunológico.

Os testes mostraram aumento da atividade de células de defesa, como linfócitos T, neutrófilos e células B, criando uma resposta imunológica capaz de continuar combatendo o câncer mesmo após a eliminação do tumor inicial.

Esse mecanismo chamou a atenção dos cientistas porque pode representar uma forma de reduzir o risco de retorno da doença.

Tumores desapareceram após dose única

Nos experimentos realizados com modelos de câncer colorretal em camundongos, uma única aplicação intravenosa da bactéria foi suficiente para eliminar completamente os tumores em todos os animais tratados.

Posteriormente, quando os pesquisadores reintroduziram células cancerígenas nos mesmos camundongos, muitos deles permaneceram protegidos, indicando que o organismo havia desenvolvido uma espécie de “memória imunológica” contra o câncer.

Outro resultado considerado promissor foi o desempenho superior da bactéria quando comparada, no modelo experimental, a tratamentos utilizados como referência, incluindo o quimioterápico doxorrubicina e uma imunoterapia baseada em bloqueio de PD-L1.

Ainda não é um tratamento disponível

Apesar da repercussão da descoberta, os próprios pesquisadores destacam que o estudo ainda está em fase inicial.

Até o momento, não existem testes clínicos em seres humanos, o que significa que não é possível afirmar que os mesmos resultados serão obtidos em pacientes.

Antes que uma terapia baseada nessa bactéria possa ser utilizada na prática clínica, serão necessários estudos adicionais para confirmar sua segurança, definir doses adequadas, avaliar possíveis efeitos colaterais e comprovar sua eficácia em pessoas.

Próximos passos da pesquisa

A equipe do JAIST pretende ampliar os estudos para verificar se a bactéria também pode combater outros tipos de câncer, como os de mama e pâncreas.

Os cientistas também trabalham no desenvolvimento de métodos ainda mais seguros de administração da bactéria e estudam a possibilidade de combiná-la com terapias já utilizadas atualmente no tratamento oncológico.

Embora ainda esteja distante da aplicação clínica, a descoberta é considerada uma das mais promissoras dos últimos anos na área da microbiologia e da oncologia. Para os pesquisadores, a biodiversidade presente na natureza pode esconder novas alternativas terapêuticas capazes de transformar o tratamento do câncer nas próximas décadas.

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