terça-feira , 7 julho 2026
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Tesla, Coca-Cola, Nestlé e eBay pedem aos EUA que suspendam tarifas sobre importações do Brasil

Tesla, Nestlé, Coca-Cola e eBay pedem isenções ao USTR enquanto audiências públicas em Washington reúnem defensores e opositores da sobretaxa; decisão sobre a Seção 301 deve sair até 15 de julho

O movimento ocorre na reta final de um processo que se arrasta desde julho de 2025, quando o governo Trump abriu uma investigação com base na Seção 301 da legislação comercial americana contra o Brasil. Nesta segunda-feira (6) e nesta terça-feira (7), o USTR promove em Washington uma série de audiências públicas — a última etapa formal antes de uma decisão que deve ser anunciada até 15 de julho.

O que está em jogo

A investigação avalia seis frentes consideradas prejudiciais ao comércio americano: práticas do governo brasileiro tidas como injustificáveis, irracionais ou discriminatórias, que sobrecarregariam ou restringiriam o comércio dos Estados Unidos.  Entre os pontos citados estão o sistema de pagamentos Pix, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e fiscalização do desmatamento ilegal.

Coca-Cola defendeu a manutenção da isenção já prevista para o suco de laranja brasileiro e pediu a inclusão do limão na lista, citando o colapso da produção de laranja na Flórida — que caiu de 242 milhões de caixas na safra 2003/04 para uma projeção de apenas 12 milhões em 2025/26 por causa de doenças e eventos climáticos.

eBay propôs uma isenção categórica para produtos usados e seminovos, argumentando que o objetivo declarado da tarifa é sinalizar preços para a produção industrial e agrícola — algo que não se aplica a um item que já cumpriu seu ciclo de vida e cujo fabricante original já foi pago.

Quem defende a aplicação das tarifas

Nem todo o setor privado americano está do lado das isenções. Entidades ligadas aos setores de carne e de etanol dos Estados Unidos estão entre as principais defensoras da sobretaxa, acusando o Brasil de não combater problemas como desmatamento e corrupção.  Associações do agronegócio americano, como as de produtores de milho e de combustíveis renováveis, também se manifestaram a favor da medida durante as audiências.

A resposta do governo brasileiro

Na manifestação oficial enviada ao USTR, o Brasil rejeitou integralmente as conclusões da investigação, sustentando que suas políticas públicas não são discriminatórias nem impõem barreiras injustificadas ao comércio americano.  Sobre o Pix, especificamente, Brasília argumenta que o sistema é uma infraestrutura pública aberta, criada para ampliar a concorrência e reduzir custos, da qual empresas estrangeiras — inclusive americanas — participam normalmente,  citando o FedNow, sistema público de pagamentos administrado pelo Federal Reserve, como equivalente americano.

Chama atenção o fato de o governo Lula ter optado por não enviar nenhum representante oficial às audiências, por avaliar que se trata de um espaço voltado ao setor privado e à sociedade civil,  concentrando sua atuação em reuniões de alto nível, como o encontro entre o ministro Márcio Elias e o representante comercial americano Jamieson Greer.

Flávio Bolsonaro entra na disputa

Na ala política brasileira, quem assumiu papel de destaque foi o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ele viajou aos Estados Unidos para discursar por cinco minutos na audiência desta terça-feira (7), defendendo a suspensão da tarifa e pedindo que os dois países busquem uma solução por meio do diálogo.  Para embasar sua fala, o senador protocolou um documento de 86 páginas junto ao USTR, pedindo a abertura de uma negociação bilateral direta entre Brasil e Estados Unidos sobre as seis áreas investigadas, em vez de depender do Mercosul.

Tensão diplomática de fundo

A ofensiva empresarial e política acontece em meio a um momento de forte tensão entre os dois países. Documentos do Itamaraty, assinados pelo ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira, apontam risco de o governo americano recorrer ao uso de força militar contra o território brasileiro, depois de os Estados Unidos classificarem unilateralmente o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais. Na semana passada, o Departamento do Tesouro dos EUA já havia congelado bens de dois brasileiros e quatro empresas por suposta ligação com o PCC.

Próximos passos

A decisão final do USTR sobre a aplicação — ou não — da tarifa de 25% deve ser anunciada até 15 de julho. Até lá, o governo brasileiro segue tentando convencer Washington a substituir a sobretaxa por negociações bilaterais específicas para cada um dos pontos levantados na investigação.

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