Com Nicolás Maduro fora de cena após ser capturado em uma operação dos Estados Unidos, o controle político e institucional da Venezuela passou a ser exercido por três figuras centrais do chavismo, enquanto cresce a pressão internacional e o risco de um confronto direto com Washington.
Desde o último sábado (3), o comando do país sul-americano está concentrado na vice-presidente Delcy Rodríguez, no ministro do Interior, Diosdado Cabello, e no ministro da Defesa, Vladimir Padrino López. O trio representa diferentes pilares do regime chavista — o político, o civil e o militar — e atua como núcleo de sustentação do poder em meio à maior crise institucional dos últimos anos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não permitirá a permanência de aliados de Maduro no governo venezuelano e declarou que pretende assumir o controle do país. Ao mesmo tempo, disse manter contatos com Delcy Rodríguez para discutir os próximos passos, sem descartar uma intervenção militar mais ampla.
Delcy é considerada uma das figuras mais influentes do chavismo contemporâneo. Nascida em Caracas, em 1969, construiu sua trajetória política ocupando cargos estratégicos, como ministra da Comunicação, chanceler e presidente da Assembleia Nacional Constituinte. Advogada de formação, ganhou projeção dentro do regime a partir de 2013, ao lado do irmão Jorge Rodríguez, ambos responsáveis pela formulação política e pelo discurso ideológico do governo. Desde 2024, Delcy também comanda o Ministério do Petróleo, área sensível diante das sanções impostas pelos Estados Unidos.
Já Diosdado Cabello representa a ala mais dura do chavismo. Ex-militar, aliado histórico de Hugo Chávez, ele se tornou uma das figuras mais temidas do regime. Cabello ganhou notoriedade em 2002, durante a tentativa de golpe contra Chávez, quando assumiu temporariamente o poder e ajudou a devolver o comando ao líder bolivariano. Ao longo dos anos, ocupou cargos-chave, como ministro do Interior, governador de Miranda e presidente da Assembleia Nacional, consolidando influência sobre os serviços de inteligência e o partido governista.
Completa o núcleo de poder o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, o mais longevo da história venezuelana no cargo. Militar de carreira, ele se tornou peça central na repressão a protestos contra o regime e é apontado como figura decisiva em uma eventual resposta armada a uma intervenção estrangeira. Alvo de sanções dos Estados Unidos desde 2018, Padrino nega envolvimento em atividades ilegais e mantém forte discurso nacionalista.
Após a captura de Maduro, o general classificou o episódio como um sequestro do presidente legitimamente eleito e defendeu a soberania venezuelana. Em declarações públicas, condenou o governo americano e afirmou que o país rejeita qualquer presença militar estrangeira em seu território.
Enquanto a comunidade internacional acompanha os desdobramentos, a Venezuela vive um período de incerteza, marcado pela concentração de poder na cúpula chavista e pelo temor de uma escalada do conflito com os Estados Unidos.

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