Uma aluna da Escola Estadual Ali Halfeld, em Juiz de Fora (MG), foi alvo de comentários ofensivos e discriminatórios dentro da unidade escolar após começar a frequentar as aulas com roupas e símbolos ligados ao Candomblé, religião de matriz africana à qual foi recentemente iniciada.
O episódio ocorreu no Bairro Nossa Senhora de Lourdes, na Zona Sudeste da cidade, e ganhou repercussão após o terreiro Ilẹ̀ Sábà Alfangerê Àșe Ájágúná publicar uma nota de repúdio nas redes sociais. Segundo o texto, a estudante foi chamada de “macumbeira” e “doente” por colegas ao usar trajes brancos, pano de cabeça e fios de conta — elementos tradicionais da prática religiosa.
“A escola afirma ser laica, mas a conduta que vem sendo permitida contradiz essa afirmação. Nenhuma criança deve ter que escolher entre o direito de estudar e o direito de professar sua fé”, afirma a nota do terreiro. O texto também denuncia o racismo religioso como uma violência que atinge não apenas a estudante, mas toda uma ancestralidade afro-brasileira.
A Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG), por meio de nota enviada à imprensa, informou que está ciente do caso e que todas as medidas cabíveis já foram tomadas. A pasta reforçou que repudia qualquer forma de preconceito, discriminação ou intolerância dentro do ambiente escolar.
Além disso, a SEE/MG anunciou que a escola irá realizar atividades pedagógicas voltadas à valorização da diversidade e ao combate ao preconceito religioso. “A escola é um espaço que deve promover o respeito, o diálogo e a pluralidade cultural. É dever das instituições educacionais desconstruir estigmas e acolher a diversidade de seus estudantes”, afirmou a secretaria.
O caso reacende o debate sobre a urgência da implementação de políticas públicas efetivas para uma educação antirracista e verdadeiramente laica. Para lideranças de terreiros e defensores dos direitos humanos, o combate à intolerância religiosa nas escolas passa por formação continuada de educadores, ações permanentes de conscientização e, sobretudo, escuta ativa dos estudantes afetados.

Deixe um comentário