Entre fé, cansaço e superações, um pequeno cachorro virou símbolo de esperança durante uma romaria de 150 km até o Santuário Nacional de Aparecida, e protagonizou um reencontro que emocionou fiéis e viralizou nas redes sociais.
Um cachorro sem nome, aparentemente perdido, surpreendeu um grupo de romeiros ao surgir no início da caminhada de Guarulhos até Aparecida, entre os dias 6 e 10 de outubro. A trajetória de fé, marcada por encontros e desencontros, ficou ainda mais especial com a presença do animal, que percorreu boa parte do trajeto ao lado do policial civil César Franco — e que, dias depois, se tornaria seu novo tutor.
A jornada começou no km 211 da Rodovia Presidente Dutra. Minutos após a saída, o cãozinho apareceu no acostamento e passou a seguir o grupo. Rápido, magro e com olhar cativante, encantou César, que cuidou dele durante o primeiro dia, dando água, comida e abrigo. No fim da etapa, o animal foi deixado em um ponto de apoio, mas retornou à caminhada por conta própria no dia seguinte, ao lado de outro cão.
Durante uma pausa, os dois descansaram juntos, até que o cachorro decidiu seguir duas romeiras que passavam pela estrada. Quando César acordou, já não o encontrou mais. “Me senti culpado, devia ter improvisado uma coleira. Mas não perdi a fé. Continuei rezando, entregando tudo a Deus e à intercessão de Nossa Senhora e de São Francisco”, relatou.
O grupo passou por várias cidades — Santa Isabel, Jacareí, Caçapava e Pindamonhangaba — até chegar em Aparecida no dia 10. Sem notícias do cão, César manteve a esperança de revê-lo. E foi justamente na esplanada da Basílica que o reencontro aconteceu.
“Estava indo comer, e de repente vi ele brincando com outro cachorro. Era ele. Já estava ali me esperando”, contou o policial. O momento foi filmado por Juscy Rocha, idealizadora da página Romaria Amigos de Maria, que acompanhou a cena e incentivou: “Amigo, você vai ter que levar… É seu”.
O cachorro foi batizado como Aparecido de Assis, em homenagem à padroeira do Brasil e a São Francisco de Assis, protetor dos animais. Mais do que um mascote da peregrinação, Aparecido foi descrito por outros romeiros como um verdadeiro “anjo da estrada”. Segundo relatos, após se afastar de César, ele acompanhou outras pessoas em trechos solitários e difíceis, oferecendo companhia e conforto emocional.
“Ele ajudou muita gente, inclusive duas mulheres que me disseram que estavam cansadas e sentiram que ele deu força pra seguir. Então ele cumpriu uma missão antes de voltar pra mim”, disse César.
Agora adotado, Aparecido vive com o novo tutor, já recebeu banho, carinho e um lar definitivo. “Ele merece tudo de bom. Foi um presente que a fé colocou no meu caminho.”

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