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Golpe da consignação de carros de luxo faz centenas de vítimas em quatro estados

Fraudes usam contratos superficiais, promessas de lucro fácil e a confiança em lojas de fachada para lesar tanto proprietários quanto compradores.

Reprodução

Um golpe em expansão pelo país tem mirado proprietários e compradores de carros de luxo, movimentando cifras milionárias. O esquema, registrado nos últimos meses em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Goiás, consiste em lojas de revenda que recebem veículos em consignação, vendem os automóveis, mas não repassam o valor ao dono — e em alguns casos também enganam quem adquire o carro.

O golpe explora dois pontos vulneráveis: a confiança que estabelecimentos bem localizados ou com aparência de credibilidade passam ao cliente e a ausência de fiscalização rigorosa sobre o setor de consignação. Na prática, o proprietário deixa o carro para a revenda cuidar da negociação. Quando a venda acontece, o dinheiro não chega à conta.

Em Goiânia, mais de cem pessoas já denunciaram o esquema, com prejuízo estimado em R$ 12 milhões. Em São Paulo, cerca de 50 vítimas relatam ter sido lesadas. Em Salvador, uma revenda de veículos premium é alvo de processos semelhantes, e em Niterói (RJ) a polícia apura fraudes que ultrapassam R$ 300 mil.

Segundo especialistas, trata-se de um golpe de curto prazo, que funciona como um sistema pirâmide: o dinheiro de um cliente é usado para pagar outro até que a pressão judicial e policial cresce e os envolvidos fecham a loja ou reabrem em outro endereço com nome diferente.

O advogado criminalista Fernando Viggiano explica que automóveis de alto valor atraem fraudadores porque “funcionam como ativos financeiros de liquidez quase imediata”. Já a advogada Giovanna Guerra alerta que contratos genéricos, promessas de retorno rápido e propostas excessivamente vantajosas devem ser vistos como sinais de alerta.

Para reduzir riscos, os especialistas recomendam verificar o histórico da empresa, consultar o CNPJ, exigir certidões negativas e formalizar o contrato em cartório. O contrato deve prever claramente comissão, prazo de consignação, responsabilidades, preço mínimo e condições de devolução do bem.

O comprador também corre riscos: há casos em que paga integralmente pelo veículo e descobre depois que o automóvel está alienado ou em nome de outra pessoa, ficando sem conseguir transferi-lo. O advogado Jaime Fusco reforça a necessidade de checar a titularidade no Detran e só efetuar o pagamento final após a regularização da documentação.

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