Dois casos graves de intoxicação por substância suspeita, possivelmente metanol, estão sendo investigados em São Paulo. Uma mulher perdeu a visão após consumir caipirinhas em um bar, enquanto um jovem permanece em coma após ingerir gin com energético comprado em uma adega.
A designer de interiores Rhadarani Domingos está internada após sofrer perda total da visão ao consumir bebidas alcoólicas em um bar localizado em uma área nobre de São Paulo. Ela relatou ter tomado três caipirinhas com frutas vermelhas, maracujá e vodka durante a comemoração de aniversário de uma amiga, no dia 19 de setembro.
Segundo a própria Rhadarani, os drinques não apresentavam sabor ou odor suspeito, mas provocaram reações graves pouco depois. “Causaram um estrago bem grande. Eu não estou enxergando nada”, afirmou em entrevista exibida pelo programa Fantástico, da TV Globo.
De acordo com a família, a designer teve convulsões, precisou ser intubada e foi levada à UTI no dia 21. A suspeita, ainda não confirmada oficialmente, é de intoxicação por metanol — substância altamente tóxica e que pode causar cegueira e morte. A família espera conseguir tratamento especializado para tentar recuperar a visão da paciente.
O nome do estabelecimento e a região exata do bar não foram divulgados. Por isso, não foi possível obter um posicionamento do local sobre o caso.
Enquanto isso, um segundo episódio semelhante reforça os temores sobre a circulação de bebidas adulteradas no estado. Rafael, um jovem que também teria sido exposto ao metanol, está internado há quase um mês após consumir doses de gin com energético e gelo saborizado comprados em uma adega próxima de sua casa, no dia 23 de agosto.
De acordo com a mãe, Helena Anjos Martins, Rafael está em coma desde 1º de setembro. “A toxicidade foi removida do sangue, mas os danos ao cérebro e à visão já estavam feitos. Ele respira por ventilador e os médicos dizem que é irreversível”, lamentou.
Outro jovem que estava no mesmo encontro, o auxiliar de produção Diogo Marques, também apresentou sintomas de intoxicação. Ele relatou ter acordado sem enxergar e com forte dor de cabeça, após consumir os mesmos produtos com Rafael e outros amigos. Diogo chegou a ser internado, mas já teve alta.
As bebidas, segundo ele, aparentavam ser de boa procedência. “A gente não esperava. Parecia tudo de qualidade”, relatou.
Autoridades de saúde e segurança pública acompanham os casos, que reacendem o alerta sobre o risco de bebidas alcoólicas adulteradas no mercado. Até o momento, não há confirmação oficial sobre a presença de metanol nos produtos consumidos.

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