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Pastor com 8 milhões de seguidores é alvo de investigação por esquema de fé paga

Segundo as investigações, fiéis eram levados a acreditar que falavam com o líder religioso, mas atendentes imitavam sua voz e cobravam via Pix por "orações com poder".

Foto: Reprodução/Redes Sociais

A Polícia Civil do Rio de Janeiro e o Ministério Público estadual (MPRJ) deflagraram nesta quarta-feira (25) a Operação Blasfêmia, que desarticulou uma central de telemarketing religiosa acusada de explorar financeiramente a fé de fiéis, por meio da cobrança por orações e promessas de milagres. O esquema, liderado por Luiz Henrique dos Santos Ferreira, conhecido como profeta Henrique Santini, movimentou mais de R$ 3,3 milhões em dois anos.

A central funcionava no Centro de Niterói e operava como um call center dedicado a atender, persuadir e cobrar fiéis por orações, supostamente feitas pelo próprio Santini — pastor que possui mais de 8 milhões de seguidores nas redes sociais. Segundo a denúncia, os atendimentos eram feitos por operadores treinados, que simulavam ser o pastor, utilizando áudios previamente gravados com mensagens espirituais e solicitações de contribuição via Pix.

Em uma das mensagens divulgadas pela polícia, o interlocutor afirmava, com tom de autoridade espiritual:

“Deus mandou eu vir falar com você. Você vai fazer um sacrifício no altar de 24 reais, representando as 24 horas que eu vou ficar no monte… Esse dinheiro será para a gasolina do monte.”

Os valores cobrados pelos atendentes variavam entre R$ 20 e R$ 1.500, dependendo do tipo de “oração” prometida — algumas com promessas de cura, outras com soluções financeiras. O atendimento emocional e espiritual, de acordo com o MPRJ, fazia parte de um esquema estruturado de exploração da fé, com metas de arrecadação e remuneração por comissão.

Em outro áudio obtido durante a investigação, um fiel afirma que não tem o que comer em casa, mas que fará o possível para enviar o valor solicitado:

“Não tenho nada na minha casa a não ser água e sal. Mas se Deus me abençoar, mais tarde eu faço um Pix, em nome do Senhor Jesus.”

O grupo utilizava diversas contas bancárias em nome de terceiros para dificultar o rastreamento do dinheiro arrecadado. Ao todo, 23 pessoas foram denunciadas, incluindo o próprio Santini, que deve passar a usar tornozeleira eletrônica. A Justiça determinou o bloqueio de bens, contas bancárias e empresas ligadas aos investigados.

Durante a investigação, também foi constatado que pelo menos sete adolescentes foram aliciados para atuar no esquema. Os operadores eram pressionados a cumprir metas semanais e, caso não alcançassem os valores estipulados, eram desligados.

O delegado Luiz Henrique Marques Pereira, titular da 76ª DP (Centro de Niterói), explicou que o crime está caracterizado não pelo ato religioso em si, mas pela fraude envolvida na cobrança:

“A atuação religiosa é protegida pela Constituição. O problema começa quando há engano intencional com objetivo de lucro, o que ultrapassa os limites da fé e configura crime.”

Em defesa, Henrique Santini afirmou, em entrevista à TV Globo e em vídeo publicado em seu canal do YouTube, que se trata de uma perseguição religiosa. Ele declarou ter formação teológica e estar há mais de uma década atuando como pastor:

“Colaborei com a investigação, entreguei tudo o que foi pedido. Não encontraram nada que me incrimine.”

No vídeo, Santini prometeu “desmascarar a farsa” da investigação e reforçou que confia na justiça divina e na sua inocência.

A Polícia Civil e o Ministério Público seguem com a apuração para identificar outras possíveis vítimas e envolvidos.

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