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Aos 2 anos, menina de Caruaru vive com síndrome que impede sorrisos e piscadas, mas encanta nas redes sociais

Diagnosticada com uma condição neurológica rara, a pequena Lunna, de apenas dois anos, tem inspirado milhares de pessoas ao compartilhar sua rotina e desafios nas redes sociais.

Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Com apenas dois anos de idade, a caruaruense Lunna Luisa Costa enfrenta os desafios impostos pela síndrome de Moebius, uma condição neurológica rara que compromete os movimentos do rosto e dos olhos. Sem conseguir sorrir ou piscar, a menina tem emocionado e inspirado milhares de pessoas nas redes sociais, onde sua mãe, Ana Cristina, compartilha relatos de superação e conscientização.

Quando Lunna nasceu, em agosto de 2023, nenhuma alteração havia sido detectada durante a gestação. Mas, desde os primeiros dias de vida, a mãe, Ana Cristina da Silva Costa, 40 anos, sentiu que algo não estava certo. A bebê não conseguia mamar adequadamente e apresentava movimentos assimétricos no rosto ao chorar. Apesar dos sinais, os médicos inicialmente não levantaram suspeitas.

Com o passar dos dias, a perda de peso da recém-nascida e sua dificuldade em fechar os olhos ou sorrir chamaram ainda mais a atenção da família. Foi então que Ana buscou ajuda médica especializada em Recife, capital pernambucana. Aos 10 meses, veio o diagnóstico: síndrome de Moebius, uma condição rara que afeta os nervos cranianos responsáveis por expressões faciais e movimentos oculares.

“Na hora, fiquei anestesiada. Chorei, sofri, mas depois fui entendendo que ela poderia se desenvolver bem”, conta Ana, em entrevista à Revista CRESCER.

Além da paralisia facial parcial, Lunna nasceu com pé torto congênito, condição tratada com o uso de órteses e sessões de fisioterapia. Com o tempo, também foi diagnosticada com crises de epilepsia, detectadas após episódios de sonolência excessiva. A menina passou a receber medicação e acompanhamento contínuo.

Atualmente, Lunna faz terapia ocupacional, fisioterapia motora e acompanhamento neurológico, o que tem contribuído para avanços significativos no seu desenvolvimento. Segundo a mãe, a maior limitação provocada pela síndrome está relacionada à incapacidade de fechar completamente os olhos, o que provoca lacrimejamento constante e exige cuidados diários, especialmente durante o sono.

Apesar das dificuldades, a menina é descrita como encantadora e cheia de personalidade. E foi justamente seu carisma que conquistou o público no TikTok, onde Ana começou a compartilhar a rotina da filha para conscientizar sobre a síndrome e trocar experiências com outras famílias.

“Não tinha com quem conversar sobre isso. Também não sabia nada sobre a síndrome antes”, relata Ana, que hoje reúne quase 10 mil seguidores e milhares de visualizações nos vídeos.

Além do carinho recebido nas redes, a mãe também passou a receber relatos de pessoas adultas que vivem com a mesma síndrome, algumas atuando como enfermeiras, advogadas ou em outras profissões. “Elas me mostram que é possível. A inteligência da criança não é afetada, e, com estímulos certos, o desenvolvimento vem”, afirma.

O que é a Síndrome de Moebius

A síndrome de Moebius é considerada uma condição rara e neurológica, com prevalência estimada entre 1 a cada 50 mil a 500 mil nascimentos. Ela compromete principalmente os nervos cranianos responsáveis pelas expressões faciais e pelo movimento lateral dos olhos. Com isso, as crianças podem apresentar dificuldades para mamar, falar, mastigar, sorrir, fechar os olhos e olhar para os lados.

Em alguns casos, a condição está ligada a fatores genéticos ou ambientais durante a gestação, mas a maioria dos casos ocorre de forma esporádica, sem histórico familiar.

Entre as manifestações associadas, além da paralisia facial, estão estrabismo, alterações na língua, no palato e nos membros, além de pé torto congênito, como no caso de Lunna. No entanto, é importante destacar que o QI costuma ser preservado, e a criança pode se desenvolver cognitivamente de forma plena, desde que receba os estímulos adequados.

Tratamento e perspectivas

Embora não exista cura, os tratamentos disponíveis — como fisioterapia, fonoterapia e intervenções médicas específicas — podem melhorar muito a qualidade de vida dos pacientes. Casos mais graves podem demandar cirurgias corretivas, como transferências musculares para simular o sorriso.

Para a pequena Lunna e sua mãe, o caminho segue cheio de desafios, mas também de descobertas e conquistas. “Ela já venceu muita coisa”, resume Ana, com orgulho.

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