Uma coletiva realizada nesta segunda-feira (22), no Centro de Treinamento Gustavo Paiva, revelou acusações graves contra a diretoria afastada do CSA, incluindo empréstimos com agiotas, sumiço de equipamentos de segurança, pagamentos suspeitos de premiação e desvio de documentos. As denúncias foram feitas pela junta diretiva do Conselho Deliberativo, que assumiu o clube após uma intervenção emergencial.
O Centro Sportivo Alagoano (CSA) enfrenta mais um capítulo turbulento em sua história recente. Desta vez, as denúncias partem do próprio Conselho Deliberativo, que, por meio de uma junta diretiva, assumiu temporariamente a administração do clube e revelou uma série de irregularidades supostamente cometidas pela diretoria executiva afastada.
Durante entrevista coletiva no CT Gustavo Paiva, o presidente do Conselho, Clauwerney Ferreira, detalhou um panorama de gestão temerária e ausência de transparência. Entre as denúncias, está a informação de que o clube teria recorrido a empréstimos com agiotas, sem autorização do Conselho.
“O CSA pegou empréstimo de agiota. Isso é sério. E sem nenhuma autorização do Conselho. Quem vai pagar essa conta?”, questionou Clauwerney.
A situação se agravou após o rebaixamento do clube, quando — segundo o presidente do Conselho — houve remoção de documentos do CT no domingo posterior ao jogo com o Brusque. Na segunda-feira, parte significativa das imagens de segurança foi apagada do sistema.
“Sumiram câmeras, sumiram imagens. O HD foi enviado para perícia. Queremos saber o que aconteceu”, afirmou Clauwerney.
Além disso, pagamentos de “bichos” (premiações por vitória) estão sob investigação. A diretoria interina identificou transferências de valores altos — até R$ 120 mil — para contas particulares de diretores, que fariam a distribuição dos prêmios, sem que houvesse comprovação de que os valores chegaram aos atletas.
“Constatamos que esses valores eram depositados em uma única conta de um diretor. Mas não há comprovantes de repasse aos jogadores. E enquanto isso, há salários, 13º e férias de atletas e membros da comissão técnica atrasados”, completou.
A diretoria afastada também é acusada de ter recebido comissões de patrocinadores, prática considerada irregular. Há suspeitas de que uma empresa foi aberta por um dos dirigentes apenas para intermediar esses repasses, o que será apurado pela força-tarefa montada pela junta.
Estrutura do CT em ruínas
Durante a coletiva, imagens foram exibidas para a imprensa mostrando o estado precário do CT Gustavo Paiva: infiltrações, lixo acumulado, vestiários deteriorados e materiais possivelmente furtados.
“O CT estava abandonado. Uma bagunça generalizada. Arquivos espalhados, portas quebradas. Se a gente não intervém, não dá para imaginar onde isso ia parar”, declarou Ferreira.
A junta informou que a diretoria executiva está afastada por 90 dias, prazo que pode ser renovado por igual período. A expectativa é realizar eleições para uma nova gestão até novembro, a fim de evitar maiores danos ao planejamento da temporada 2026.
Recuperação Judicial e dívidas crescentes
Mesmo com a Recuperação Judicial em andamento, o CSA enfrenta dívidas operacionais que ultrapassam R$ 1 milhão, com contas do dia a dia acumulando atrasos. O Conselho aguarda decisão do cartório para ter acesso formal aos documentos financeiros da gestão anterior.
A assessoria do CSA informou que o clube deve registrar boletim de ocorrência junto à Polícia Civil ainda nesta segunda-feira. Os documentos e indícios levantados pela junta diretiva também serão entregues às autoridades para apuração.
Até o momento, a diretoria executiva afastada não se pronunciou oficialmente. O espaço permanece aberto para manifestação e a reportagem será atualizada caso haja posicionamento.

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