Unindo saber acadêmico e impacto social, alunos da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal) participaram de uma ação extensionista voltada à prevenção de lesões em pessoas com diabetes, utilizando técnicas simples, como a plantigrafia, e priorizando o acolhimento humanizado.
Na última quinta-feira (12), a Casa Fecha Feridas Prof. Isaac Soares de Lima, em Maceió, foi palco de mais uma edição do projeto de extensão Além da Superfície, que tem transformado a formação universitária na Uncisal ao integrar teoria e prática no cuidado com pacientes com pé diabético.
A ação contou com a participação de estudantes dos cursos de Radiologia, Enfermagem, Medicina e Fisioterapia. Durante as atividades, foram realizados exames de plantigrafia — uma avaliação rápida e acessível capaz de identificar pontos de pressão nos pés, fundamentais para prevenir feridas em pessoas com diabetes.
Para pacientes como Célia Maria do Nascimento, que convive com a doença há dez anos, o atendimento foi mais que uma consulta. “Receber esse tipo de orientação faz muita diferença. Aprendi como escolher melhor meus sapatos e cuidar dos meus pés no dia a dia”, contou.
Segundo o estudante de Radiologia Francisco Antônio da Silva, do 2º período, a vivência trouxe lições que vão além da técnica. “Na sala de aula, estudamos exames como esse, mas aqui vemos o impacto direto na vida das pessoas. É quando a profissão ganha outro sentido”, destacou.
Coordenado pela professora Cristina Magano, o projeto foca no cuidado multidisciplinar e no fortalecimento da empatia como parte essencial da prática em saúde. “Queremos que os alunos enxerguem o paciente como um todo. Cada conversa, cada orientação, tem valor no processo de cuidado”, explicou.
Além dos exames físicos, os participantes promovem momentos de escuta e acolhimento, com abordagens que envolvem saúde mental, nutrição e qualidade de vida. Edições anteriores já incluíram rodas de conversa e cafés da manhã com pacientes e seus familiares.
A iniciativa também pretende gerar produção científica. Os relatos e experiências vividas pelos alunos serão transformados em um artigo acadêmico, e uma etapa de coleta de dados clínicos está prevista, com submissão ao Comitê de Ética da universidade.
Para a coordenação, o projeto é um exemplo de como a universidade pública pode estender seus muros. “Mais do que formar profissionais, buscamos formar cidadãos conscientes do seu papel na comunidade”, concluiu Magano.

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