quarta-feira , 11 março 2026
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Green Day transforma The Town em celebração punk e critica ‘bastardos fascistas’ no Dia da Independência

Banda americana levou multidão à euforia com clássicos do pop punk, provocações políticas e presença de palco arrebatadora no encerramento de domingo no The Town

Reprodução

Com quase duas horas de explosão sonora e presença de palco magnética, o Green Day foi o nome da noite no The Town neste domingo (7). O trio californiano dominou o festival com uma mistura certeira de nostalgia, críticas afiadas e carisma inegável, em um espetáculo que celebrou o punk com a irreverência que o gênero pede, justamente no Dia da Independência do Brasil.

A expectativa era grande, e o Green Day correspondeu com autoridade. Assim que pisaram no palco do The Town, a banda transformou o ritmo do festival numa verdadeira catarse coletiva. O trio abriu com “American Idiot” e já impactou, trocando eco maçante por recado direto: um trocadilho afiado com Trump e seu lema “MAGA” reverberou com aplausos e gritos da plateia.

Entre um verso e outro, homenagens ao Brasil pipocaram no setlist. “Holiday” deixou o solo californiano para gritar “São Paulo”, uma brincadeira de tom político e afeto local. A relação com os fãs seguiu intensa, especialmente quando uma fã foi ao palco cantar, abraçar e até roubar um beijo de Billie Joe Armstrong, desses momentos que viram memória afetiva imediata.

Visualmente, o espetáculo caprichou: cenografia monumental reproduzindo a icônica capa de “American Idiot” dominou o palco, enquanto telões vibravam com imagens da trajetória da banda, sua evolução estética e histórica. A plateia, por sua vez, retribuiu com sinais visuais de apoio, bandeiras tremulando das mais diversas causas e uma coreografia espontânea em verde.

A performance navegou por clássicos emocionantes como “Boulevard of Broken Dreams” e “Wake Me Up When September Ends”, mas também abraçou o presente, levando ao público faixas de “Saviors”, o álbum mais recente. A inclusão de “Bobby Sox”, canção que ganhou status de hino bissexual, demonstrou o compromisso da banda com marginalizados e temas sociais relevantes.

Billie Joe Armstrong, dono de palco nato, alternava graves poderosos com gaita improvisada, oratória acesa e brincadeiras com a câmera. Enquanto isso, Dirnt e Tré Cool detonavam, seus solos não passavam despercebidos, especialmente quando completavam o show com expressões exageradas e acenos à multidão.

No fim, um momento comovente selou a noite: “Time of Your Life” ressoou como um adeus afetuoso. O público aplaudiu de pé, como se todos quisessem guardar aquele instante nas retinas e no coração. O show provou que, mesmo após décadas de estrada, o Green Day continua pulsando com a força de uma banda jovem, irreverente, crítica e absolutamente viva.

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