quinta-feira , 12 março 2026
Lar Polícia Polícia investiga ameaças de morte contra Mãe Mirian, ialorixá de 91 anos em Alagoas
PolíciaSegurança PúblicaÚltimas notícias

Polícia investiga ameaças de morte contra Mãe Mirian, ialorixá de 91 anos em Alagoas

Mensagens recebidas pela líder religiosa incluem ameaça de invasão ao terreiro e de morte; universidade prestou solidariedade e classificou episódio como intolerância religiosa.

Foto: Reprodução/Redes sociais

A ialorixá Mirian Araújo Souza Melo, conhecida como Mãe Mirian-Yá Binan, de 91 anos, denunciou ter recebido ameaças de morte por mensagens. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil e acompanhado pela Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas (OAB-AL).

As mensagens, às quais a TV Gazeta teve acesso, incluem declarações de que um homem “mandaria invadir o templo religioso” de Mãe Mirian e de que ela “vai morrer”. Além das ameaças escritas, a ialorixá também recebeu tentativas de ligação telefônica do autor.

De acordo com a presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB-AL, Mayara Heloise, o material já foi encaminhado para a Delegacia Especial de Crimes contra Vulneráveis Yalorixá Tia Marcelina, que conduz as investigações.

O episódio foi repudiado pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), que divulgou nota de solidariedade à ialorixá. Na mensagem, a instituição a descreve como “guardiã de saberes ancestrais” e “liderança sagrada das religiões de matriz africana em nosso estado”.

A Ufal ressaltou que as ameaças representam não apenas um ataque individual, mas também um reflexo do racismo estrutural e da intolerância religiosa que ainda persistem no país. “Não é possível silenciar nem naturalizar a persistência do ódio religioso, do racismo estrutural e da barbárie contra corpos e espiritualidades negras neste país”, diz trecho da nota.

A instituição também relembrou que, há apenas uma semana, concedeu a Mãe Mirian o título de Doutora Honoris Causa, em reconhecimento à sua trajetória e sabedoria.

Contexto histórico

O comunicado ainda citou a “quebra de Xangô”, episódio de 1912 em que terreiros foram destruídos em Maceió e que marcou a história de Alagoas com violência contra religiões de matriz africana. Segundo a universidade, as ameaças recentes se somam a esse histórico de perseguição.

A Ufal afirmou que continuará ao lado de Mãe Mirian e reafirmou compromisso no combate ao racismo e à intolerância religiosa.

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Secretaria de Saúde investiga caso suspeito de meningite em escola privada no Farol

A Secretaria Municipal de Saúde de Maceió (SMS) informou, no início da...

Moto roubada é recuperada durante patrulhamento no bairro Manoel Teles, em Arapiraca

Uma motocicleta com registro de roubo foi recuperada pela Polícia Militar na...

Prévia do Pinto da Madrugada altera tráfego na orla de Maceió no sábado e domingo

O tradicional desfile do Pinto da Madrugada, reconhecido como Patrimônio Imaterial da...

MP de São Paulo recebe denúncia de homofobia contra participante do BBB

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) recebeu, nesta quarta-feira (4), uma...