A ialorixá Mirian Araújo Souza Melo, conhecida como Mãe Mirian-Yá Binan, de 91 anos, denunciou ter recebido ameaças de morte por mensagens. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil e acompanhado pela Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas (OAB-AL).
As mensagens, às quais a TV Gazeta teve acesso, incluem declarações de que um homem “mandaria invadir o templo religioso” de Mãe Mirian e de que ela “vai morrer”. Além das ameaças escritas, a ialorixá também recebeu tentativas de ligação telefônica do autor.
De acordo com a presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB-AL, Mayara Heloise, o material já foi encaminhado para a Delegacia Especial de Crimes contra Vulneráveis Yalorixá Tia Marcelina, que conduz as investigações.
O episódio foi repudiado pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), que divulgou nota de solidariedade à ialorixá. Na mensagem, a instituição a descreve como “guardiã de saberes ancestrais” e “liderança sagrada das religiões de matriz africana em nosso estado”.
A Ufal ressaltou que as ameaças representam não apenas um ataque individual, mas também um reflexo do racismo estrutural e da intolerância religiosa que ainda persistem no país. “Não é possível silenciar nem naturalizar a persistência do ódio religioso, do racismo estrutural e da barbárie contra corpos e espiritualidades negras neste país”, diz trecho da nota.
A instituição também relembrou que, há apenas uma semana, concedeu a Mãe Mirian o título de Doutora Honoris Causa, em reconhecimento à sua trajetória e sabedoria.
Contexto histórico
O comunicado ainda citou a “quebra de Xangô”, episódio de 1912 em que terreiros foram destruídos em Maceió e que marcou a história de Alagoas com violência contra religiões de matriz africana. Segundo a universidade, as ameaças recentes se somam a esse histórico de perseguição.
A Ufal afirmou que continuará ao lado de Mãe Mirian e reafirmou compromisso no combate ao racismo e à intolerância religiosa.

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