Após anos de desenvolvimento e expectativas, a adaptação de Frankenstein dirigida por Guillermo del Toro estreou com aclamação no Festival de Veneza. Ovacionado por mais de dez minutos, o longa estreia em outubro nos cinemas brasileiros e chega à Netflix em novembro.
Quando Ted Sarandos, executivo da Netflix, perguntou a Guillermo del Toro quais histórias ele ainda sonhava dirigir, o diretor mexicano respondeu sem hesitar: Pinóquio e Frankenstein. Após o sucesso da primeira, lançada em 2022, del Toro finalmente dá vida à segunda — e talvez mais ambiciosa — adaptação.
Apresentado em estreia mundial na 82ª edição do Festival de Cinema de Veneza, Frankenstein foi recebido com 13 minutos de aplausos em pé. O filme, dividido em três partes, oferece uma reinterpretação profunda e sensível do clássico escrito por Mary Shelley em 1818, explorando tanto a trajetória do criador Victor Frankenstein quanto da criatura que ele rejeita.
Oscar Isaac assume o papel do cientista, enquanto Jacob Elordi surpreende ao viver a criatura. Elordi foi escalado às pressas, após Andrew Garfield deixar o projeto devido à greve de atores em Hollywood. “Parecia uma missão impossível”, contou o ator. “Mas o filme já estava vivo, só precisei me juntar à festa.”
Com dois anos de produção e 149 minutos de duração, a obra apresenta uma estética artesanal, com cenários físicos em vez de efeitos gerados por computador — uma escolha deliberada de del Toro. “CGI é colírio para os olhos. O que eu queria aqui era proteína visual”, disse o diretor, conhecido por tratar monstros com compaixão e humanidade.
O elenco conta ainda com Christoph Waltz e Mia Goth, que interpreta Elizabeth, esposa de Frankenstein. A personagem, ao contrário do marido, mostra empatia pela criatura — um contraste central à narrativa emocional proposta pelo cineasta.
As primeiras críticas elogiaram o escopo épico da produção e sua abordagem filosófica. Pete Hammond, do Deadline, afirmou que seria “difícil cortar” um filme com tanta riqueza visual. Já Geoffrey McNab, do The Independent, considerou o longa “belo, mas carente de profundidade”.
Del Toro, vencedor do Oscar por A Forma da Água, reitera que sua obra não pretende ser uma alegoria para a inteligência artificial, como alguns sugeriram. “Frankenstein não é sobre máquinas. É sobre o que significa ser humano em tempos de desumanização crescente.”
Segundo ele, o filme reflete uma urgência ética e emocional: “Vivemos numa era de polarização e medo. A arte é uma resposta — e a resposta é o amor”.
Com estreia marcada para outubro nos cinemas do Brasil e novembro na Netflix, Frankenstein promete ser não apenas um espetáculo visual, mas uma reflexão pungente sobre imperfeição, pertencimento e humanidade.

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