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STF inicia julgamento histórico de Bolsonaro e generais nesta teça feira por tentativa de golpe de Estado

Ex-presidente e mais sete réus são acusados de planejar ações para reverter o resultado das eleições de 2022. Primeira Turma da Corte começa a analisar o caso nesta terça-feira (2).

Reprodução

O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou nesta terça-feira (2) o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete integrantes do chamado “núcleo central” da suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. O processo será analisado pela Primeira Turma da Corte, que reúne cinco ministros, incluindo o relator do caso, Alexandre de Moraes.

O julgamento ocorre quase dez meses após o indiciamento dos acusados pela Polícia Federal e reúne figuras centrais da gestão Bolsonaro, incluindo generais, ex-ministros e auxiliares diretos. Essa é a primeira vez na história do país que um ex-presidente da República e militares de alta patente enfrentam julgamento criminal por crimes contra o Estado Democrático de Direito no Supremo.

Acusações

Os oito réus respondem por uma série de crimes graves:

  • Golpe de Estado

  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito

  • Organização criminosa armada

  • Dano qualificado contra patrimônio da União

  • Deterioração de patrimônio tombado

O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da Abin, responde apenas pelos três primeiros crimes, devido à decisão da Câmara dos Deputados de barrar duas das acusações.

Composição do julgamento

A Primeira Turma do STF é composta por:

  • Alexandre de Moraes (relator)

  • Flávio Dino

  • Luiz Fux

  • Cármen Lúcia

  • Cristiano Zanin (presidente da turma)

Cinco sessões foram reservadas para o julgamento, nos dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro.

Rito processual

A sessão desta terça começou com a leitura do relatório de Alexandre de Moraes, relembrando os principais pontos da acusação e do processo. Em seguida, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, teve até duas horas para apresentar os argumentos da acusação.

A defesa dos réus, que incluem o tenente-coronel Mauro Cid (delator no caso), também tem espaço para manifestação. Cada advogado pode falar por até uma hora, seguindo a ordem alfabética dos acusados após Cid.

Depois das manifestações, Moraes apresenta seu voto. Os demais ministros o seguirão, podendo ou não apresentar argumentos adicionais. A expectativa é que, mesmo com votos favoráveis à condenação, haja divergência na dosimetria das penas.

Réus

Além de Jair Bolsonaro, estão no banco dos réus:

  • Walter Braga Netto, ex-ministro e candidato a vice na chapa de Bolsonaro

  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens

  • Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-diretor da Abin

  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha

  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça

  • Augusto Heleno, ex-ministro do GSI

  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa

Impacto histórico

Para juristas, o julgamento representa um divisor de águas no enfrentamento a tentativas de ruptura institucional no Brasil. “O país já passou por várias tentativas de golpe, mas esta é a primeira vez que generais são julgados formalmente por planejar a derrubada do Estado Democrático de Direito”, afirma Álvaro Jorge, professor da FGV Direito Rio.

O processo é considerado histórico por envolver figuras militares de alta patente, além do ex-presidente da República — uma combinação inédita na Justiça brasileira.

Expectativas

Segundo apuração da CNN Brasil, a condenação de Jair Bolsonaro é considerada praticamente certa entre os bastidores do STF, embora os ministros possam divergir em relação às penas individuais e à caracterização exata dos crimes atribuídos a cada um dos acusados.

Calendário das sessões

  • Terça-feira (2/9)

  • Quarta-feira (3/9)

  • Segunda-feira (9/9)

  • Terça-feira (10/9)

  • Quinta-feira (12/9)

Contexto: o caso

De acordo com a investigação da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República, os acusados teriam articulado, com base em documentos e declarações públicas, um plano para deslegitimar as eleições, desacreditar o sistema eleitoral e impedir a posse do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

As provas incluem depoimentos, documentos sigilosos, reuniões estratégicas registradas, mensagens interceptadas e a delação premiada de Mauro Cid, que detalhou o suposto funcionamento da trama.

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