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Canais com conteúdo infantil são deletados do YouTube após denúncias de exploração

Plataforma encerrou contas por violações à política de segurança infantil; Bel, João Caetano, Taspio e o casal Paty e Dedé estão entre os criadores afetados.

Reprodução / Youtube

O YouTube removeu diversos canais com conteúdo voltado ao público infantil e adolescente após denúncias sobre exploração da imagem de menores, impulsionadas pelo vídeo “Adultização”, do influenciador digital Felipe Bressanim, o Felca. Entre os perfis excluídos está o canal Bel para Meninas, criado em 2012 e comandado por Isabel Peres, que hoje tem 18 anos.

A exclusão da conta de Bel ocorreu no dia 20 de agosto, com base em violações à política de segurança infantil da plataforma. O canal, que acumulava milhões de visualizações, foi citado no documentário de Felca como um dos principais exemplos de exposição excessiva de crianças nas redes. A repercussão reabriu o debate sobre os limites entre entretenimento digital e violação de direitos.

Além de Bel, também tiveram os canais excluídos o youtuber João Caetano, o influenciador Taspio e o casal Paty e Dedé — todos com conteúdos voltados a crianças, desafios ou novelas com temática adolescente.

Nas redes sociais, Bel se mostrou abalada com a decisão e classificou a exclusão como uma injustiça. Ela convocou um protesto em frente ao escritório do YouTube e afirmou: “Eu sou uma pessoa, eu tenho sentimentos, não mereço ser descartada sem ser ouvida.” A jovem também negou que seus vídeos tivessem conotação sexual ou abusiva.

O canal da mãe de Bel, Francinete Peres, também foi removido. Segundo comunicado enviado pela plataforma, a conta violava as políticas contra spam, conteúdo enganoso e golpes.

A plataforma, por sua vez, reforçou sua política de tolerância zero a qualquer conteúdo que sexualize ou exponha menores de forma inapropriada. O YouTube afirma que usa uma combinação de inteligência artificial, revisores humanos e denúncias de usuários para monitorar violações. Em 2024, mais de 18 milhões de vídeos foram excluídos por questões relacionadas à proteção infantil.

Outro caso de grande impacto foi o do influenciador João Caetano, que produzia vídeos com crianças, desafios físicos e manobras com bicicletas. Com 14 milhões de inscritos, ele lamentou a queda do canal, mas prometeu retornar.

O casal Paty e Dedé, parentes de João, também teve a conta derrubada. Eles usaram um perfil alternativo para informar seus seguidores, mas o YouTube lembrou que contas reservas também são proibidas após exclusão por violação.

O youtuber Taspio, conhecido por séries curtas com temas adolescentes, afirmou que a remoção foi resultado de uma suposta lei contra a presença de menores na plataforma. No entanto, não há legislação brasileira que proíba crianças no YouTube; o que existe são normas da própria plataforma para evitar a exposição imprópria.

Desde a publicação do vídeo “Adultização”, que ultrapassou milhões de visualizações em poucos dias, o tema tem gerado forte comoção e repercussão pública. Felca revelou na gravação que denúncias contra o canal de Bel já circulavam desde 2020, com alegações de maus-tratos e conteúdos considerados abusivos. Na época, as denúncias foram refutadas por Bel e por sua mãe, que alegaram que os vídeos tinham caráter lúdico e consensual.

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