quarta-feira , 11 março 2026
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“O que meu filho tem a ver com a violência urbana?”, questiona mãe de criança baleada em Maceió

Dona de casa afirma que o filho não recebe acompanhamento adequado e cobra Justiça pelo crime que deixou um morto e duas menores atingidas.

Foto: reprodução

Quatro dias após o tiroteio que abalou o bairro do Jacintinho, em Maceió, a dor da dona de casa Rita de Cássia Gomes ainda é acompanhada pela incerteza. Seu filho de apenas seis anos sobreviveu aos disparos, mas segue em recuperação, sem conseguir andar e sem acesso ao suporte psicológico ou social que a família esperava receber.

O ataque ocorreu na noite de terça-feira (26), quando dois homens armados abriram fogo durante uma correria em uma comunidade da região. Três pessoas foram atingidas: a criança de seis anos, uma adolescente de 13 e o pedreiro Fabrício Gabriel Ataíde da Silva, de 28 anos. Este último não resistiu e teve a morte confirmada na quinta-feira (28), após graves lesões.

A vítima mais jovem já recebeu alta médica, mas continua em tratamento em casa. A adolescente permanece internada no Hospital Geral do Estado (HGE) com uma bala alojada nas costas. Rita de Cássia, mãe do menino de seis anos, descreve o impacto físico e emocional que a tragédia causou em sua família:

— O meu filho vai demorar muito a andar. Faltou um triz para pegar na artéria dele e eu poderia estar de luto hoje. Isso é revoltante — relatou.

Emocionada, ela denuncia a ausência de apoio institucional:

— Não chega uma pessoa para perguntar se estamos precisando de alguma coisa. Não vem uma assistente social, um psicólogo. Aqui mora gente de bem. O que meu filho tem a ver com a violência urbana?

A cena do tiroteio permanece viva na memória da mãe, que revive o momento em que pegou o filho nos braços, ensanguentado. Além da preocupação com a recuperação física, Rita teme pelos efeitos emocionais no garoto, que já possui problemas cardíacos e precisa de cuidados redobrados.

O caso reacendeu o debate sobre a vulnerabilidade das famílias que vivem nas periferias, onde a violência interrompe até as atividades mais simples da infância.

— As crianças não podem brincar um pouquinho na rua que os maloqueiros já chegam atirando, sem querer saber em quem o tiro vai pegar. É um caso grave — lamentou a mãe.

A polícia segue em busca dos dois suspeitos de cometer o atentado. Informações sobre a dupla podem ser repassadas de forma anônima pelo Disque Denúncia, no número 181.

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