A clínica de reabilitação localizada em Marechal Deodoro, na região metropolitana de Maceió, está no centro de uma investigação que revela um cenário de violações graves aos direitos humanos, incluindo maus-tratos, abusos sexuais e cobranças indevidas — mesmo sendo registrada como entidade filantrópica.
As denúncias vieram à tona após a morte da esteticista Cláudia Pollyanne, que foi encontrada com hematomas pelo corpo no dia 9 de agosto. Desde então, as autoridades passaram a apurar o funcionamento da clínica, culminando em sua interdição. De acordo com a delegada Ana Luiza Nogueira, responsável pelo caso, o local apresentava uma série de irregularidades incompatíveis com o que se espera de uma instituição terapêutica.
Um dos aspectos mais alarmantes revelados pela investigação é que a clínica, que deveria oferecer tratamento gratuito por se enquadrar como entidade filantrópica, vinha cobrando entre R$ 1.800 e R$ 2 mil por paciente. Os pagamentos, segundo familiares, eram feitos com a promessa de cuidados e reabilitação — promessas que, segundo os relatos, foram quebradas por um ambiente de negligência e violência.
Durante a operação que resultou na interdição do local, a polícia encontrou um cômodo apelidado pelos internos como “quarto da tortura”. O espaço, de aparência precária, exibia manchas nas paredes que, segundo os investigadores, podem ser de sangue. Informações coletadas pela equipe policial apontam que o cômodo era utilizado para punições físicas, além de haver relatos de violência sexual.
“Recebemos denúncias de estupro, violência física e psicológica ocorrendo nesse espaço. Tudo isso agrava ainda mais a situação da clínica, que, além de irregular, operava em completa violação da dignidade dos internos”, afirmou a delegada Ana Luiza.
A morte de Cláudia Pollyanne segue sob apuração, e os investigadores analisam se ela foi diretamente relacionada aos abusos praticados dentro da instituição. Enquanto isso, outros ex-pacientes e familiares têm prestado depoimentos que indicam a existência de um padrão de violência e negligência sistemática.
As autoridades continuam trabalhando para identificar todos os envolvidos e responsabilizar os gestores do espaço. O caso reacende o debate sobre a fiscalização de comunidades terapêuticas e instituições privadas de reabilitação no Brasil, muitas vezes alvos de denúncias semelhantes em diversas regiões do país.

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