A médica Samira Khouri quebrou o silêncio e falou pela primeira vez sobre as agressões brutais que sofreu do ex-namorado, o fisiculturista Pedro Camilo Garcia. O caso aconteceu em julho, durante uma viagem do casal a São Paulo, e resultou em múltiplas fraturas no rosto da vítima e perda parcial da visão.
A médica Samira Khouri revelou, em entrevista exibida no Fantástico neste domingo, os detalhes das agressões violentas sofridas pelo ex-namorado, Pedro Camilo Garcia, em um apartamento na capital paulista. O caso chocou o país pela gravidade dos ferimentos: Samira teve fratura no crânio, diversas fraturas faciais e perdeu 50% da visão de um dos olhos.
“Durante as agressões, o Pedro quebrou todas as estruturas que seguram meu globo ocular, além de vários ossos da minha face, principalmente do lado esquerdo”, contou a médica, visivelmente emocionada.
A brutalidade foi tamanha que Samira precisou passar por cirurgia para a colocação de placas de titânio no rosto. “A maioria dos ossos do meu nariz foi quebrada. Meu lado esquerdo está cheio de placas para estabilizar as fraturas”, explicou.
O crime aconteceu no dia do aniversário de Samira, em 14 de julho, quando o casal estava em São Paulo para comemorar. Eles haviam saído para uma festa, onde Samira fez amizade com outras pessoas. Pedro, tomado por ciúmes, acabou expulso do local pelos seguranças após uma discussão.
Ela chegou primeiro ao apartamento onde estavam hospedados. Pouco depois, Pedro apareceu alterado.
“Ele chegou muito nervoso. Na hora, fiquei com medo. Ele me deu um soco, eu caí no chão e não lembro de mais nada”, relatou.
“Quando acordei, ele ainda estava me batendo. Ele deu 12 socos depois que voltei a mim”, completou.
De acordo com a polícia, Pedro quebrou a própria mão durante as agressões e fugiu do local levando o celular e o carro da vítima. Câmeras de segurança mostram o momento em que ele deixa o prédio, com visível dificuldade para mover a mão usada nos golpes.
A delegada Débora Lázaro, responsável pela investigação, afirmou que o rosto de Samira ficou destruído. “As fotos são difíceis de ver”, declarou.
A polícia foi acionada por vizinhos que ouviram sons de respiração ofegante no apartamento. Quando os agentes entraram, encontraram Samira inconsciente no chão da sala.
Pedro foi preso horas depois, dirigindo o carro da médica, e alegou, durante a audiência de custódia, não lembrar dos fatos. A Justiça converteu a prisão em flagrante para prisão preventiva por tentativa de homicídio. O juiz Diego de Alencar Salazar Primo destacou, na decisão, que o agressor demonstrou covardia, descontrole emocional e periculosidade concreta, ressaltando o porte físico avantajado do réu, que atua como fisiculturista.
Segundo a polícia, Pedro confessou a agressão e alegou ter agido por ciúmes após ver mensagens no celular da vítima.
O QUE DIZ A DEFESA?
Em nota, a defesa de Pedro alegou que o réu possui histórico de bulimia nervosa, uso de anabolizantes, medicamentos psiquiátricos e que interrompeu tratamento psicológico. O advogado Danilo Pereira declarou que qualquer manifestação será feita apenas nos autos do processo:
“Ainda há etapas burocráticas pendentes. Deve prevalecer o respeito às partes e seus familiares.”

Deixe um comentário