O influenciador digital e humorista Felca causou forte comoção nas redes sociais após publicar um vídeo onde denuncia a prática de adultização infantil em conteúdos voltados para plataformas como YouTube, Instagram e TikTok. A publicação viralizou rapidamente, somando mais de 13 milhões de visualizações em apenas dois dias.
Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, é um dos maiores youtubers de humor do Brasil. Aos 27 anos, o paranaense soma quase cinco milhões de inscritos em seu canal e mais de 10 milhões de seguidores nas redes sociais. Ele ganhou notoriedade por vídeos satíricos e participações em trends da internet, como as lives NPC e o vídeo “Testei a base da Virgínia”, que impulsionou sua fama em 2023.
Mas, desta vez, o motivo da repercussão foi outro. Em um vídeo recente, Felca abordou o fenômeno da adultização infantil — conceito que descreve a exposição precoce de crianças a comportamentos, papéis e aparências voltados ao universo adulto. O youtuber destacou exemplos de influenciadores que, segundo ele, exploram a imagem de menores para atrair engajamento e monetização.
Entre os nomes citados está o influenciador paraibano Hytalo Santos, que acumula mais de 20 milhões de seguidores somando todas as redes. Felca acusa Hytalo de inserir repetidamente crianças e adolescentes em roteiros com conotação emocional e romântica, o que, segundo especialistas, pode representar risco à integridade dos menores — além de atrair perfis de usuários mal-intencionados, como pedófilos.

Em seu canal, Hytalo costuma produzir vídeos ambientados em casas com vários jovens e adolescentes, que ele chama de “crias” ou “filhos”, criando narrativas que sugerem laços familiares ou amorosos entre os participantes, muitos deles menores de idade. Após a divulgação das denúncias, a conta oficial do influenciador no Instagram foi desativada. A plataforma ainda não confirmou se a suspensão está relacionada ao conteúdo questionado.

Felca também citou outros perfis que estariam envolvidos em práticas similares, como as influenciadoras Kamylinha e Caroline Dreher. Além das acusações, o youtuber aproveitou o vídeo para mostrar como o algoritmo das redes sociais pode direcionar esse tipo de conteúdo justamente para quem busca por materiais infantis com más intenções — um alerta que gerou discussões sérias entre criadores, pais e autoridades.
A repercussão gerou uma onda de apoio a Felca, mas também levantou questionamentos sobre os limites entre entretenimento e exploração infantil no meio digital. Especialistas em infância e direitos digitais afirmam que o caso pode abrir precedentes para investigações mais profundas e uma possível regulamentação da atuação de menores nas redes.
O tema da adultização infantil já vinha sendo debatido por entidades como a Fundação Abrinq, que define o fenômeno como um dos grandes desafios da sociedade conectada. Com o vídeo de Felca, o assunto agora ganha um novo alcance — e uma pressão crescente por responsabilidade nas plataformas.

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