Um grupo de trabalho formado por órgãos estaduais, federais e representantes municipais foi criado com o objetivo de fortalecer a agricultura familiar em Alagoas, com foco na sustentabilidade e na preservação da Caatinga. A articulação surgiu após reunião coordenada pelo secretário de Meio Ambiente de Delmiro Gouveia, Marcos Diniz, diante do avanço do desmatamento no bioma.
Com a Caatinga ocupando cerca de 44% do território alagoano e enfrentando um dos maiores picos de devastação dos últimos anos, um fórum interinstitucional foi oficialmente criado para agir de forma articulada em defesa do bioma e das comunidades que dependem dele. A proposta inclui políticas públicas, disseminação de informações legais e mecanismos de apoio a pequenos e médios agricultores.
O ponto de partida será um relatório detalhado elaborado pelo Ibama, com dados sobre áreas desmatadas, que servirá como base para ações educativas nos municípios. O superintendente do órgão em Alagoas, Reginaldo Couto, alertou que em 2024 o bioma perdeu mais de 5 mil hectares de vegetação nativa. “É hora de construir soluções que garantam segurança jurídica aos produtores e evitem sanções que dificultem o acesso ao crédito e a políticas públicas”, pontuou.
A iniciativa foi recebida com entusiasmo por representantes da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA). O presidente da entidade, Marcelo Beltrão, destacou a importância de enfrentar a desinformação que alimenta práticas irregulares. “Estamos tratando de uma preocupação iminente, e essa união entre municípios e órgãos públicos pode ser o caminho para transformar o cenário”, afirmou.
Prefeitos e secretários presentes também destacaram a importância do diálogo e da troca de experiências. A prefeita de Delmiro Gouveia, Ziane Costa, lembrou a transformação vivida no município após a atuação da Fiscalização Preventiva Integrada (FPI), que inspirou novas estratégias sustentáveis. Já o prefeito José Luiz, de Olho D’Água das Flores, reconheceu os desafios culturais, mas acredita na possibilidade de mudança com apoio institucional.
Representando o Ministério da Agricultura em Alagoas, Jorge Marques reforçou o compromisso com a legalidade e a sustentabilidade. A secretária estadual de Agricultura, Aline Rodrigues, anunciou o uso dos programas Seagri em Movimento e da Feira da Agricultura Familiar como canais para disseminação da legislação ambiental vigente.
Também presente à reunião, Henrique Lessa, do IMA, informou que o governo estadual prepara uma lei para garantir créditos de reposição florestal. Além disso, o plano estadual de combate à desertificação está em revisão com apoio acadêmico.
O representante da Emater, Sandro Couto, afirmou que o programa Semiárido Bem Viver será intensificado e deve acompanhar diretamente 300 agricultores.
“O papel dos municípios é essencial para que essa mudança chegue à ponta. A Caatinga pode e deve ser usada com responsabilidade”, concluiu Reginaldo Couto, do Ibama.
O grupo vai se reunir periodicamente e deve apresentar, nos próximos meses, propostas concretas para conciliar conservação ambiental e produção agrícola no semiárido alagoano.

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