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Mais de 200 indígenas se formam em universidade pública em colação de grau histórica em Alagoas

Cerimônia será realizada nesta quinta (1º), no Centro de Convenções de Maceió, e marca o encerramento do Curso de Licenciatura Intercultural Indígena, voltado à formação de professores para atuação nas próprias comunidades.

Foto: Clau Soares / Ascom Uneal

Em um momento inédito para a educação brasileira, 212 estudantes indígenas de Alagoas celebram nesta quinta-feira (1º) a conclusão do Curso de Licenciatura Intercultural Indígena (CLIND), promovido pela Universidade Estadual de Alagoas (Uneal). A colação de grau coletiva, considerada a primeira do tipo no país, ocorrerá às 11h, no Centro de Convenções de Maceió, e representa um marco na luta dos povos originários pelo acesso à educação superior de forma respeitosa e contextualizada.

A cerimônia reúne formandos de 12 etnias alagoanas, oriundos de quatro regiões do estado: Agreste, Baixo São Francisco, Sertão e Zona da Mata. Entre os povos representados estão os Wassu-Cocal, Xucuru-Kariri, Tingui-Botó, Karapotó, Kariri-Xocó, Jiripankó, Katokinn, Kalankó e Koiupanká, entre outros. A formação incluiu licenciaturas em Geografia, História, Letras, Pedagogia e Matemática, adaptadas às realidades socioculturais e linguísticas dos próprios estudantes.

O curso foi conduzido no Campus III da Uneal, em Palmeira dos Índios, com estrutura financiada pelo Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza (Fecoep), além de parcerias com a Secretaria de Estado da Educação, prefeituras e outras instituições. Uma das políticas de destaque foi o Programa Primeiro Emprego Indígena, que garantiu permanência e experiência profissional aos formandos.

“Levo comigo não só um diploma, mas o compromisso de representar meu povo com dignidade. A palavra é semente, e nós já começamos a florescer”, afirmou João Paulo de Jesus dos Santos, do povo Jiripankó, formando em Letras.

Segundo a coordenadora do curso, professora Iraci Nobre, o CLIND é resultado de uma construção coletiva que respeitou os saberes tradicionais. “Esse projeto mostra o que a universidade pública pode ser quando compreende o seu papel social e reparador”, afirmou. O reitor Odilon Máximo de Morais e o vice-reitor Anderson Barros destacaram a importância histórica da formatura, classificando-a como uma reparação simbólica e prática da dívida do Estado com os povos originários.

A cerimônia será marcada por rituais indígenas, cânticos, uso de adornos tradicionais e expressões culturais de cada povo. Para além da solenidade acadêmica, o evento é um símbolo de resistência, autonomia e reconhecimento da diversidade como eixo central da formação docente no Brasil.

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