O secretário de Relações Internacionais do Governo de Alagoas, Júlio Cezar da Silva, anunciou sua saída do MDB e confirmou que irá disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa nas eleições de 2026. A movimentação gerou repercussões entre aliados e adversários e acentuou tensões nos bastidores da política estadual.
Em entrevista ao jornalista João Mousinho, Júlio Cezar justificou a decisão alegando falta de espaço para competir em igualdade dentro da atual estrutura do MDB. Segundo ele, a composição interna da sigla não oferece condições justas para uma disputa proporcional. “Preciso buscar um espaço onde possa disputar de forma justa”, declarou.
O secretário mencionou conversas preliminares com legendas como PSD, PSB e federações que orbitam a base do governo estadual. Apesar do anúncio da saída, Júlio ressaltou que só oficializará a nova filiação com o aval do governador Paulo Dantas, ele próprio membro do MDB. A declaração provocou reações ambíguas no meio político, sendo vista tanto como gesto de lealdade quanto de contradição.
Aliados mais próximos interpretaram a decisão como o prenúncio de um afastamento definitivo do grupo político que comanda o Palácio República dos Palmares. No MDB, a atitude foi encarada com desconfiança, especialmente por parte de lideranças históricas da legenda, como o senador Renan Calheiros e o ministro Renan Filho, principais articuladores da permanência de Júlio no governo.
O histórico político de Júlio Cezar também pesa nas avaliações internas: ele já protagonizou rompimentos anteriores com figuras como Ronaldo Lessa, Teotonio Vilela Filho e James Ribeiro, ex-prefeito de Palmeira dos Índios.
Com a pré-candidatura assumida, Júlio deve se afastar da função de secretário dentro do prazo legal exigido pela legislação eleitoral. A principal dúvida, nos bastidores, é se o desligamento administrativo virá acompanhado de um rompimento político com o MDB e seus principais quadros.
Enquanto aliados tentam costurar uma transição sem maiores danos, adversários monitoram o impacto de uma possível candidatura fora da principal base governista nas eleições de 2026.

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