As novas tarifas de importação anunciadas pelo governo dos Estados Unidos entrarão em vigor no próximo sábado, 1º de agosto. A confirmação foi feita neste domingo (27) pelo secretário de Comércio Howard Lutnick, durante entrevista à emissora Fox News. Segundo ele, não haverá prorrogação ou período adicional de adaptação para os países atingidos.
“Sem prorrogações, sem mais períodos de carência — em 1º de agosto, as tarifas serão definidas. Elas entrarão em vigor. A Alfândega começará a arrecadar o dinheiro”, declarou Lutnick, em mensagem também compartilhada pelo perfil oficial da Casa Branca na rede X (antigo Twitter).
Ao todo, mais de 20 países e blocos econômicos foram incluídos na medida, com alíquotas que variam de 15% a 50%. O Brasil foi enquadrado na faixa máxima. Na carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente Donald Trump justificou a decisão com argumentos políticos e comerciais, alegando, entre outros pontos, censura às plataformas americanas por decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo Trump, a relação comercial entre os dois países é “injusta” e tem sido prejudicada por ações brasileiras que violariam, segundo ele, princípios de liberdade de expressão. O ex-presidente também citou seu aliado Jair Bolsonaro, a quem chamou de alvo de uma “caça às bruxas”, reafirmando críticas ao sistema de justiça brasileiro.
Os dados oficiais, no entanto, indicam que o Brasil vem acumulando déficits comerciais com os EUA há 16 anos. Desde 2009, as exportações americanas ao Brasil superam as importações em mais de US$ 88 bilhões.
Mesmo após o início da vigência das tarifas, Lutnick afirmou que ainda haverá espaço para negociações. “As pessoas ainda poderão falar com o presidente Trump. Ele está sempre disposto a ouvir. Se elas conseguirão fazê-lo feliz ou não, é outra questão”, disse o secretário.
A União Europeia, que recebeu uma tarifa de 30%, também foi citada. Segundo Lutnick, o bloco precisará abrir mais seus mercados às exportações dos EUA caso queira negociar uma possível retirada das taxas.
No Brasil, o governo federal tem intensificado reuniões com o setor produtivo para avaliar as possíveis consequências da medida e discutir formas de reação. O presidente Lula tem feito críticas recorrentes à postura do republicano e declarou que “Trump não foi eleito para ser o imperador do mundo”.

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