A cantora, apresentadora e empresária Preta Gil morreu neste domingo (20) aos 50 anos, em decorrência de complicações de um câncer no intestino. A artista, filha do cantor Gilberto Gil e da empresária Sandra Gadelha, enfrentava a doença desde janeiro de 2023. Ela estava nos Estados Unidos, onde se submetia a tratamentos experimentais.
Preta deixa o filho, Francisco Gil, e a neta, Sol de Maria. Em agosto de 2023, a cantora revelou que o câncer havia se espalhado por quatro regiões do corpo. Desde maio de 2024, permanecia nos EUA para uma nova fase do tratamento, que estava previsto para durar até agosto.
A trajetória de Preta Gil foi marcada pela irreverência e coragem. Ela começou a carreira artística aos 29 anos, após atuar como produtora e publicitária. Seu álbum de estreia, Prêt-à-Porter, causou impacto ao trazê-la seminua na capa, atitude que simbolizaria o tom provocador e autêntico de sua obra. Ao longo dos anos, explorou diferentes vertentes da música brasileira, como samba, axé e funk.
Mesmo em tratamento, Preta demonstrava força e apego à vida. Em março deste ano, emocionou-se ao retornar ao Carnaval de Salvador, onde foi homenageada por artistas como Ivete Sangalo. “Tô aqui pra receber minha dose de cura que vem de vocês!”, escreveu nas redes sociais ao acompanhar os desfiles do alto do camarote da família Gil.
Além da carreira musical, Preta também se destacou como apresentadora de televisão e empresária. Em 2017, cofundou a agência Mynd, focada em marketing de influência, que hoje atende grandes marcas brasileiras. Ela também comandou programas como TVZ (Multishow) e Vai e Vem (GNT).
Sua luta contra o câncer foi compartilhada com o público de forma franca. Preta passou por múltiplas cirurgias, incluindo a retirada de parte do intestino grosso e a amputação do reto. Chegou a usar uma bolsa de colostomia definitiva, com a qual precisou se adaptar no cotidiano.
Em entrevista a Pedro Bial, em 2024, Preta relembrou um dos momentos mais difíceis do tratamento: uma conversa com o pai, Gilberto Gil. Ele lhe disse: “Se estiver muito pesado pra você, vai, se deixa ir.” A reflexão serviu como um ponto de virada. “Ali eu percebi que eu não queria morrer. Não era a minha hora”, contou ela, trecho que também está registrado em seu livro autobiográfico Preta Gil: Os primeiros 50.
Mesmo diante do sofrimento, Preta manteve sua postura pública marcada por empatia, autenticidade e afeto. Sua morte encerra um capítulo importante da cultura brasileira, mas seu legado permanece vivo na música, na televisão e na luta por mais representatividade e humanidade no enfrentamento do câncer.

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