O Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed/AL) criticou duramente, nesta semana, a afixação de um cartaz no Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, que orienta pacientes e acompanhantes a denunciarem casos de “má assistência” por meio de vídeos, fotos e mensagens enviadas via WhatsApp diretamente à direção do hospital.
Em nota pública, o sindicato afirmou que a medida transfere indevidamente para os profissionais de saúde a responsabilidade por problemas estruturais e de gestão da unidade hospitalar. Para o Sinmed, a iniciativa tenta mascarar deficiências graves no funcionamento do hospital, como a escassez de medicamentos, falhas no abastecimento de materiais básicos e redução da capacidade de atendimento.
“Em vez de apontar soluções para a crise no HGE, a administração prefere se esquivar, criando mecanismos para expor trabalhadores já sobrecarregados, que atuam em condições precárias”, diz um trecho da nota. O sindicato detalha que há carência de remédios considerados essenciais, como morfina, amiodarona, propofol e antibióticos amplamente utilizados em emergências.
Além dos medicamentos, há escassez de insumos básicos, como agulhas, fios de sutura e cateteres. O cenário se agrava em setores críticos. Na UTI Pediátrica, por exemplo, apenas 11 das 20 vagas estão ativas, as demais foram desativadas por falta de ventiladores mecânicos e problemas elétricos ainda não solucionados. A sala de ultrassonografia também sofre com a falta de climatização, já que o ar-condicionado permanece quebrado há mais de quatro meses, comprometendo o uso do equipamento.
O sindicato ainda critica a gestão por, segundo a entidade, ignorar os alertas recorrentes sobre a necessidade de investimentos em estrutura e recursos humanos. Para o Sinmed, os próprios médicos e profissionais da saúde são vítimas da precariedade que o cartaz tenta ocultar.
A entidade finaliza a nota incentivando a população a utilizar o número de WhatsApp divulgado no cartaz, mas para denunciar as deficiências do hospital, e não os profissionais. Até o momento, a direção do HGE não se pronunciou oficialmente sobre as denúncias.

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